10 de maio de 2007

Missão de trabalho: Cabinda

Como já vos apresentei a ordem de trabalhos aqui em Angola, a primeira saída para campo foi em direcção ao norte, ao enclave de Cabinda. Dissipem-se as ideias de que é um local perigoso, inóspito ou bélico! A cidade de Cabinda não é a cidade mais bonita do mundo, é certo, mas acolheu-nos de forma positiva, a mim e à minha colega Orquídea.

Sábado, 5H30: check-in no aeroporto de voos domésticos. Não sei como descrever, mas foi certamente o aeroporto mais confuso onde estive. Berra-se, empurra-se, protesta-se, dorme-se, espera-se, desespera-se! Há várias companhias privadas e, como não há lugar para todas, os "balcões" estão espalhados pelo aeroporto e , quando os encontramos, são mesas improvisadas onde se anota numa folhinha de papel que o passageiro chegou, chek-in feito!! Na porta de embarque tem que se acotovelar e chegar à frente...senão ficamos em terra, e ficamos mesmo!


O voo foi feito de forma tranquila a bordo de um EMBRAER120, a hélice e com AC fresquinho!


Podiam era contratar uma hospedeira mais baixa!! Não tenho nada contra pessoas altas, mas a desgraçada passa a hora toda de voo encolhida, com a coluna torta, para poder circular no corredor e prestar serviço de bordo...uma sandoca e um suminho!

O local onde ficámos, uma casa da empresa, situa-se numa "ilha social" dentro de Cabinda, ruas limpas, casas boas, gerador comunitário e cancela com guarda para todo o aldeamento...enfim, uma espécie de Aroeira de Cabinda...


Toca de ir trabalhar...pick-up a postos e aí vai de picada, buracos, transito à procura dos locais onde iríamos levantar os pontos com GPS. Algumas picadas, bem cerradas. Dissipem-se as ideias de minas e cobras: as picadas estão cerradas porque a vegetação cresce muito rápido e por estes lados havia hortas, portanto há povoamento humano, portanto não há minas; as cobras...não as vimos, felizmente!!

Aparelho na mão e olhar bem atento de nativos curiosos, magicando o que estaríamos ali a fazer! Houve quem sugerisse que estávamos ali a fazer sondagem de petróleo...a água de Cabinda...

Pacíficos, de sorriso fácil, fizeram questão de estar ali a acompanhar os trabalhos...pois muito bem, era a aldeia deles afinal!


Trabalho terminado no Sábado.


Domingo foi outra a história, havia convívio com os trabalhadores angolanos de Cabinda e...aí fomos nós! Mato, pick-nic, um Toyota Starlet com uma coluna no porta bagagens, aliás, só tinha uma coluna no porta bagagens, porque não cabiam muito mais coisas! Música, cereveja e comida...e fez-se a festa, que só abrandou um pouco por causa do díluvio que demorou uma hora, mas, fazer o quê? Molhados por molhados, fomos jogar à bola...encharcados até aos ossos! Quando parou a chuva, recuperou-se o conforto!


Este cilindro que se vê na foto é a coluna!!!


Solução encontrada por este amigo para, continuando a degostar o vinho de tempero, abrigar-se da chuva...e resulta, hã!?

Conheci a sardinha Angolana, de sabor igual à nossa, mas de dimensões incomparávelmente maiores! Não sei se é do mar, da forçada gravidade, do que comem, mas bolas...se crescem!!

À vinda para cá, com as estrad....com os caminhos alagados, fez-se jus à fama do Toyota Starlet: vai onde alguns jipes não vão!!

7 de maio de 2007

Afinal!!

Para que vocês não fiquem a pensar que isto é só borgas, passeios e praia...afinal também há trabalho! Costumo ocupar-me desta tarefa durante a semana, de 2a a 6a feira, das poucas às muitas horas...

As minhas tarefas desevolvem-se na unidade de cartografia e topografia na empresa SINFIC, uma empresa portuguesa instalada em Angola há mais de 15 anos!
A unidade é composta por 3 portugueses, 5 angolanos, vontade, dinamismo e imaginação! E assim se vão fazendo as coisas, como melhor podemos e sabemos...
Para já, tenho duas tarefas paralelas em mão:


1 - FORMAÇÃO: dar formação em ArcGIS, um software de sistemas de informação geográfica, o mais utilizado dentro da comunidade respectiva; formação em vectorização que, para quem não está familiarizado, é a passagem de uma imagem aérea para a carta em si, como a conhecemos; formação em imagens de satélite (o que é, como se forma, como tabalhar com elas, vantagens e desvantagens).


Na primeira abordagem, pareceu-me um pouco ambicioso, principalmente a parte do software, mas com esforço e dedicação.....caminho para a glória e abracei o desafio e sou mais um e estou cá para ajudar.

2 - GPS: O Eng. Geógrafo é um indivíduo que gosta do conforto do gabinete, mas também do chamado trabalho de campo. Este trabalho implica sair para "campo", que pode ser cidade, aldeia, mato...enfim....impica levantar o cú da cadeira, sair da frente do PC e ir para a rua! Pois é esta a minha outra tarefa aqui...andar com o GPS a marcar coordenadas de pontos para produção de ortofotocartas a partir de imagens de satélite.

GPS

Esta tarefa do GPS permite-me conhecer além Luanda, conhecer outras províncias Angolanas, ir a locais mais remotos, viajar....óptimo!!

3 de maio de 2007

Onde me abrigo

Durante a primeira semana estive numa "casa de passagem", como chamam aqui. Uma casa onde ficam os novos, onde fazem escala as pessoas que vêm doutros locais de Angola para Portugal, etc... Uma casa desprovida de quaisquer condições de cozinha, não havendo sequer talheres! Mas era uma casa de passagem...

Passada essa semana colocaram-me na "casa da Mutamba" (link para abrir no google earth), muito central e muito perto do trabalho. Perto do largo da Mutamba, onde se encontra o ministério das finanças.

A entrada do prédio é igual a tantas outras, escuras, elevador partidos, sem vidros. Tem a agravante de, de vez em quando, dormir uma família (mãe e dois filhos) no átrio, num colchão indescritível!


A entrada de casa é também igual a tantas outras…grades e mais grades, havendo dois portões e uma porta no meu caminho de casa. a Porta é aquela branca que se vê ao fundo.



A entrada é directa para a cozinha, que tenho que partilhar com um exército de baratas! Se aí em Portugal se fala de “hotel das baratas” como sendo um método eficaz de as aniquilar, aqui teríamos que falar em “campo de concentração de baratas” para podermos ter alguma ambição. Tenho assistido a várias gerações de baratas, ao seu crescimento, à sua alimentação (que é a mesma que a minha, claro!).
Colada à cozinha, com uma porta a dividir, bem entendido, está uma casa de banho com banheira.

Avançando pela casa, temos a sala sob o comprido, com uma bela mesa, um sofá e uma TV! Uma boa janela virada a sudoeste e….umas escadas para o piso superior.

Parece que as escadas interiores continuam a acompanhar-me nas casas onde vivo e, à semelhança, continuo a viver no piso de cima. Escadas peculiares…os degraus são todos diferentes e a meio há o ritual de baixar a cabeça para não marrar no tecto.


Piso superior: dois quartos, uma casa de banho e uma “sala” usada para engomar e estender roupa…digamos um espaço de apoio à logística indumentária (coisa fina). Desta sala tenho vista para uma parte da cidade, incluindo o estádio dos coqueiros, estádio independente que aluga o seu espaço para outros clubes (luzes do estádio na foto em baixo).


Mesmo no prédio em frente tenho uns vizinhos que, religiosamente, aos sábados, domingos e feriados, montam uma aparelhagem no terraço e fazem uso de todos os decibéis que ela consegue dar. Além disso têm a amabilidade de passar cada música 5 vezes ao dia, por dia!! Hábito esse que me permite conhecer mais da música angolana, os hits do momento, as experiências musicais, as letras sociais e românticas…muito simpáticos estes vizinhos! Claro que à terceira vez já sei a letra de cor e à quinta já bufo de enjoo!! Passam esses dias a beber cerveja e, quando viram o derby Benfica-Sporting, o momento de maior excitação foi mesmo o da entrada do Mantorras (DEIXEM JOGAR O MANTORRAS!!!).


O meu quarto, simples mas funcional, com uma cama, uma mesa-de-cabeceira e um roupeiro e….muito importante, um ar condicionado! Ao lado, uma casa de banho com poliban e a máquina de lavar roupa. Há um pormenor engraçado...a casa de banho tem uma janela interior que faz ligação para o meu quarto! Abstenho-me de fazer quaisquer descrições...


Eis que já conhecem o meu abrigo!

NOTA: Um agradecimento especial à macaca bzana, pelo apoio técnico necessário para este post, ao carinho e à boa vontade com que sempre o faz!

2 de maio de 2007

Avanço tecnológico...

Comentava-se aqui em Luanda, nos primeiro dias, entre os colegas, as adaptações que os familiares faziam para comunicar mais assiduamente connosco. Mães que já mandavam mails, pais que já conseguiam mandar SMS…enfim, uma adaptação necessária, quando nos encontramos a 10 paralelos de latitude abaixo!

Pois caros amigos, senti isso mesmo na pele, quando me saltou uma daquelas janelas laranjas da parte inferior do ecrã……O MEU PAI!! AH AH AH
Pois é…o Zé Tó aderiu rapidamente ao esquema de envio e recepção de mensagens escritas instantâneas, como quem diz…..chat do google!! Grande Zé Tó!!!

Ele há coisas….

Conjunto de variáveis

Um verdadeiro soldado, um qualquer escuteiro mais devoto, um aventureiro mais destemido e despreocupado...todos eles diriam: "nah...não preciso nada disso!" A verdade é que ninguém precisa, porque o ser humano já viveu sem luz, sem frigorifico, sem telemóvel...mas caros amigos, os objectos que vos mostro aqui hoje dão TANTO jeito!!

São presença quase obrigatória numa casa em Luanda...há quem não os tenha, por isso há que dar valor ao tê-los. Passo a apresentar:

O GERADOR

Objecto divino que, quando não pega fogo, substituiu quase por igual a rede eléctrica da companhia. Rede eléctrica que falta com muita frequência. Luanda está a crescer a olhos vistos e as exigências energéticas obrigam a cortes seleccionados do seu abastecimento. Dizem que este filme acaba quando acalmar o calor...calor que obriga a utilização frequente dos aparelhos de ar condicionado.

O RESERVATÓRIO DE ÁGUA
Estes carinhosos objectos presenteiam-nos com preciosas reservas de água, que nos permitem tomar o banho necessário para remover algum do suor motivado pelo bafo que, nem à noite dá descanso. É um banho "à gato", mas é um banho, é um refresco, é um perfumar! Enquanto há desta água, os autoclismos, ou melhor, as descargas também vão funcionando, à garrafa! Precioso também este ponto...
AR CONICIONADO
Aaaahhhh.....o ar condicionado, essa lufada que nos ajuda a respirar, que nos ajuda a pensar, que nos ajuda a dormir!! Felizmente, na minha casa, há um AC em cada um dos quarto, e na sala...luxo!
Agora...não havendo gerador...
- Quando não há luz, não há AC, dorme-se com muito calor, ameaçado por mosquitos e acorda-se ensopado em suor, bem cedinho!
- Quando não há luz, o termo-acumulador pára e passadas umas horas deixa de haver água quente
- Quando não há luza bomba de água deixa de funcionar...e passado uns tempo não há água nos canos
- Mesmo havendo luz, a água falta
- Mesmo havendo luz, a tempestade pode dispersar o sinal da TV
- Mesmo havendo luz, não é certo que haja gás (não tem nada a haver, mas é para criar confusão)
- Mesmo havendo luz e TV, os trovões interferem na rede de telemóveis
- Mesmo com luz e água, a máquina de lavar roupa pode estar avariada
Enfim, é um conjunto de factores que...se tomo um banhinho, bebo uma cerveja fresquinha, cozinho o jantar, troco um SMS ou toques de saudades, e me sento a ver TV.....sou um gajo feliz!!