18 de maio de 2007

Sensação estranha

Sabem aquela sensação que se tem quando se chega a casa após prolongado período de campismo? Uma pessoa chega cheia de energia, com boas cores, mas o reencontro de algum conforto dito básico dá imensa alegria. Voltar à caminha com colchão fofo e lençol lavado, ter água corrente, ter electricidade com a facilidade de um interruptor, ver as notícias na TV (que não interessam nada, mas que cativa pela saudade da “caixa mágica”). Tão bom poder lavar a roupa, tomar um belo banho quente, cozinhar e sujar toda a loiça que apetecer e sem a preocupação do gás acabar de repente…

Pois eu tive uma sensação parecida…e sem sair de casa!! Por razões que desconheço e não quero conhecer, a luz da rede chegava a todos os prédios do meu quarteirão, excepto ao meu! Foram lá uns senhores reparar a situação e escavaram um buraco. Meteu-se o fim-de-semana e parou tudo. Voltaram lá uns senhores e alargaram o buraco. Conclusão, às tantas, desapareceu o passeio em frente ao meu prédio e tinha que entrar em casa com a ajuda de uma ponte improvisada. Mas como tudo se resolve, sem pressa, acabou por se resolver, com calma!

Passadas quase três semanas de ausência de rede eléctrica e clara deficiência do gerador, habituei-me a viver com uma lanterna no bolso, para me deslocar do quarto à casa de banho, ou até mesmo para cozinhar. Habituei-me a tomar banho de água fria. Habituei-me a que a torneira deitasse um fiozinho de água, e nem sempre constante! Habituei-me a fazer uma ginástica com a roupa, para que pudesse vestir-me todos os dias e evitar trabalhar de calções. Habituei-me a salpicar-me de água à noite para ma refrescar e substituir a artificial, mas fresca brisa do AC.



Objecto importantissimo: lanterna!!

De repente chegou a luz da rede a minha casa…….ESPANTO!! Carrego no interruptor e a luz acende, o frigorífico trabalha e até faz a sua função de gelar a comida, água jorra da torneira….e sai quente! O AC trabalha e chego a ter noite de frio! Posso ver televisão à noite. De repente, com a chegada da luz eléctrica, aparecem uma série de “mordomias” que me fazem aperceber que estava acampado em minha própria casa…sensação estranha…

14 de maio de 2007

...e sai um fim de semana misto!!

No Sábado fui mais uma vez vítima da minha consciência e fiquei em casa avançando na tese...avançando mesmo, devagarinho e ao ritmo Angolano. Calor, barulho da vizinhança, gerador KO eram factores que não ajudavam à concentração! Agora pensam vocês: "...mas este gajo já não tinha gerador novo, para substituir o que ardeu?" Tinha sim...veio um novinho, que não aguentava as luzes ligadas e o frigorifico ao mesmo tempo! Mas, estando na garantia, foi trocado...e este que lá está agora volta e meia não pega! Eu riu-me...para não chorar!!
Lá avancei um pouco na tese, mas proncipalmente fica registada a intenção e o caminho para o seu término vai-se desenhando.
Domingo é dia de descanso, certo? Deus nosso senhor descansou ao 7º dia e eu em vez de descansar acordei às 6h30 e fui para a praia, para a Barra do Dande, que fica a uma hora de caminho se não houver trânsito...os quilómetros não sei!
Fomos para um sítio que tem restaurante, bungalows, tendas, um "paradíseo" onde, para que não haja pó nas entrelinhas, se aconselha o visitante a controlar a euforia para que se mantenha a calma geral! Nunca se sabe...há sempre malta que se excede, não concordam!?
É o local com mais palmeiras por metro quadrado que já vi...e passar aqui o fim de semana deve ser uma opção muito agradável (conversa de agência).
Tendas de tecido militar e bungalows em cima das árvores...e água a 20 metros...ui, que maravilha!

A praia é uma baía enorme, com praia em 60% do horizonte. Muito pouca gente, porque este sítio não é muito movimentado (óptimo!). A malta temque ficar debaixo dos chapéus de colmo do restaurante porque o sol é impiedoso! 5 minutos ao sol ecomeça a picar...e com quilos de protector 20 em cima!! Assim abrigamo-nos à sombra e somos obrigados a consumir, pois estáo claro! Assim, o bronze não é imediato porque andamos sempre cheios de protectore à sombra...mas como em primeiro está a saúde da pele...o bronze que espere!!

Estes são os simpáticos bichos que nos recebem na praia pela manhã...centenas de carangueijos, centenas de buracos na areia! Muito agitados, mas fogem quando estamos a 3 metros deles... Durante o dia vão desaparecendo do local onde há mais gente, como que a renegar o convívio com os humanos. Mas ao fim do dia é engraçado ver o lento repovoamento que eles fazem dessa área! Recuperam o espaço deles...é a mãe natureza a actuar!

Palmeiras, palmeiras e mais palmeiras...até à beira mar há palmeiras, como esta da foto em cima que tombou! Mas como aqui tudo floresce, esta palmeira não padece de nenhum mal e continua a sua fotossíntese como se estivesse pregada ao chão como qualquer outra!


Aqui deixo o repto filosófico numa imagem que mais não era uma tentativa de fotografar um carangueijo! Mas como surgiu uma onda que engoliu o desgraçado num banho salgado, ficamos com a imagem do mar, da areia, da fusão dinâmica do seu encontro e a convivência inevitávelmente forçada mas harmoniosa...é a água, a terra, a luz...

Descansem, estou a trabalhar....sóbrio...

Meteorologia para hoje...

Ouvi na rádio: "As previsões de hoje para Luanda são de máxima de 32º e mínima de 26º"

É aquele caldinho sempre em lume brando.....

11 de maio de 2007

Extremos em Luanda 2

Nas ruas de Luanda, nas esburacadas ruas de Luanda, nas caóticas vias de circulação que nem sempre têm asfalto, circulam todo o tipo de carros!
Muitos dos carros degradados que aqui circulam são carros que já não se usam na Europa! Isto confirma-se quando na traseira de alguns ainda existe o distico a identificar o país: Suiça, Eslovénia, Alemanha, etc... Os carros que são sucata na Europa aqui ainda andam MUITOS mais turbulentos quilómetros!


E depois há uma concentração de Hummers como nunca vi em toda a minha vida, em todos os locais onde estive.....todos juntos!!!
É um carro muito apreciado aqui, para quem pode, claro está! Não é que este exemplo seja o melhor exemplo para todo o terreno (jante de liga leve grande e pneu de baixo perfil) mas é bonito, faz vistão.....e chega!!

Há um outro exemplo, que infelizmente ainda não consegui fotografar, que é um Porsche...exacto......um Porsche, leram bem!

Para colmatar esta descrição, acrescento que cá não é obrigatório, nem seguro, nem inspecção automóvel! Estão portanto a ver o belo estado em que andam estas máquinas...e a consciencialização cívica dos respectivos condutores!

10 de maio de 2007

Missão de trabalho: Cabinda

Como já vos apresentei a ordem de trabalhos aqui em Angola, a primeira saída para campo foi em direcção ao norte, ao enclave de Cabinda. Dissipem-se as ideias de que é um local perigoso, inóspito ou bélico! A cidade de Cabinda não é a cidade mais bonita do mundo, é certo, mas acolheu-nos de forma positiva, a mim e à minha colega Orquídea.

Sábado, 5H30: check-in no aeroporto de voos domésticos. Não sei como descrever, mas foi certamente o aeroporto mais confuso onde estive. Berra-se, empurra-se, protesta-se, dorme-se, espera-se, desespera-se! Há várias companhias privadas e, como não há lugar para todas, os "balcões" estão espalhados pelo aeroporto e , quando os encontramos, são mesas improvisadas onde se anota numa folhinha de papel que o passageiro chegou, chek-in feito!! Na porta de embarque tem que se acotovelar e chegar à frente...senão ficamos em terra, e ficamos mesmo!


O voo foi feito de forma tranquila a bordo de um EMBRAER120, a hélice e com AC fresquinho!


Podiam era contratar uma hospedeira mais baixa!! Não tenho nada contra pessoas altas, mas a desgraçada passa a hora toda de voo encolhida, com a coluna torta, para poder circular no corredor e prestar serviço de bordo...uma sandoca e um suminho!

O local onde ficámos, uma casa da empresa, situa-se numa "ilha social" dentro de Cabinda, ruas limpas, casas boas, gerador comunitário e cancela com guarda para todo o aldeamento...enfim, uma espécie de Aroeira de Cabinda...


Toca de ir trabalhar...pick-up a postos e aí vai de picada, buracos, transito à procura dos locais onde iríamos levantar os pontos com GPS. Algumas picadas, bem cerradas. Dissipem-se as ideias de minas e cobras: as picadas estão cerradas porque a vegetação cresce muito rápido e por estes lados havia hortas, portanto há povoamento humano, portanto não há minas; as cobras...não as vimos, felizmente!!

Aparelho na mão e olhar bem atento de nativos curiosos, magicando o que estaríamos ali a fazer! Houve quem sugerisse que estávamos ali a fazer sondagem de petróleo...a água de Cabinda...

Pacíficos, de sorriso fácil, fizeram questão de estar ali a acompanhar os trabalhos...pois muito bem, era a aldeia deles afinal!


Trabalho terminado no Sábado.


Domingo foi outra a história, havia convívio com os trabalhadores angolanos de Cabinda e...aí fomos nós! Mato, pick-nic, um Toyota Starlet com uma coluna no porta bagagens, aliás, só tinha uma coluna no porta bagagens, porque não cabiam muito mais coisas! Música, cereveja e comida...e fez-se a festa, que só abrandou um pouco por causa do díluvio que demorou uma hora, mas, fazer o quê? Molhados por molhados, fomos jogar à bola...encharcados até aos ossos! Quando parou a chuva, recuperou-se o conforto!


Este cilindro que se vê na foto é a coluna!!!


Solução encontrada por este amigo para, continuando a degostar o vinho de tempero, abrigar-se da chuva...e resulta, hã!?

Conheci a sardinha Angolana, de sabor igual à nossa, mas de dimensões incomparávelmente maiores! Não sei se é do mar, da forçada gravidade, do que comem, mas bolas...se crescem!!

À vinda para cá, com as estrad....com os caminhos alagados, fez-se jus à fama do Toyota Starlet: vai onde alguns jipes não vão!!