Ao fim de 2 dias sem luz em casa, inquiri o administrador do condomínio do prédio, para saber se a avaria iria ser arranjada. "A avaria é arranjada hoje? À noite já terei luz?" Perguntas objectivas e com urgência, porque os brancos aqui têm sempre pressa (comparando com a calma Angolana!). Ele respondeu-me: "Não, vai ter!". É mesmo nesta frase que incide o problema da vírgula...O facto de ter vírgula ou não ter, faz toda a diferença, concordam?
Estas questões surgem na comunicação escrita, porque na comunicação oral não se costuma perguntar se a frase que foi dita tem vírgula ou não. Já viram o esquisito que ficava? "Companheiro, a frase que disse agora tem vírgula ou não?", "Olhe, essa vírgula que usou na frase não devia vir antes da palavra X?", "Ponha vírgulas nessa frase, por favor, senão fico sem fôlego para o ouvir!!"
Por isso senti-me constrangido em perguntar ao senhor se, naquela pequena frase, havia vírgula ou não! Ouvi-a com vírgula, porque me dava mais jeito e cujo significado indicava-me que a avaria seria arranjada e à noite teria luz. Fui trabalhar descansado!
Quando cheguei a casa apercebi-me que a frase que o administrador do condomínio tinha dito não levava vírgula. Ele tinha-me dito: "Não vai ter", em vez de "Não, vai ter". Toda a diferença!! E continuou a não haver vírgula nos dois dias seguintes. Só depois é que veio a luz...
Não é suposto ser uma história com moral, mas rápidamente podemos extrair duas ideias:
- Ouvimos sempre aquilo que queremos;
- A vírgula é um sinal de pontuação muito importante!!