18 de julho de 2007

A vírgula...

Ainda outro dia, num blog vizinho deste, o das macacas, discutia-se a relevância da vírgula. Sim, a vírgula, esse sinal de pontuação que nos deixa respirar ao longo de uma frase. Este post pretende realçar a importância da vírgula na conversação...e principalmente entre Angolanos e Portugueses.

Ao fim de 2 dias sem luz em casa, inquiri o administrador do condomínio do prédio, para saber se a avaria iria ser arranjada. "A avaria é arranjada hoje? À noite já terei luz?" Perguntas objectivas e com urgência, porque os brancos aqui têm sempre pressa (comparando com a calma Angolana!). Ele respondeu-me: "Não, vai ter!". É mesmo nesta frase que incide o problema da vírgula...O facto de ter vírgula ou não ter, faz toda a diferença, concordam?

Estas questões surgem na comunicação escrita, porque na comunicação oral não se costuma perguntar se a frase que foi dita tem vírgula ou não. Já viram o esquisito que ficava? "Companheiro, a frase que disse agora tem vírgula ou não?", "Olhe, essa vírgula que usou na frase não devia vir antes da palavra X?", "Ponha vírgulas nessa frase, por favor, senão fico sem fôlego para o ouvir!!"

Por isso senti-me constrangido em perguntar ao senhor se, naquela pequena frase, havia vírgula ou não! Ouvi-a com vírgula, porque me dava mais jeito e cujo significado indicava-me que a avaria seria arranjada e à noite teria luz. Fui trabalhar descansado!

Quando cheguei a casa apercebi-me que a frase que o administrador do condomínio tinha dito não levava vírgula. Ele tinha-me dito: "Não vai ter", em vez de "Não, vai ter". Toda a diferença!! E continuou a não haver vírgula nos dois dias seguintes. Só depois é que veio a luz...


Não é suposto ser uma história com moral, mas rápidamente podemos extrair duas ideias:

- Ouvimos sempre aquilo que queremos;

- A vírgula é um sinal de pontuação muito importante!!

16 de julho de 2007

Ritmo

É conhecido o ritmo que os pretos têm para a dança... Digo pretos sem pudor nenhum, porque embirro com o "negro", "pessoa de cor", "pessoa de raça negra"!! Há os brancos sem serem de facto dessa cor, há os pretos sem serem também dessa cor. Os amarelos, os vermelhos...se todas as raças têm que ter uma cor, então porquê tentar contornar e ser desnecessariamente diplomático? Até porque a bom rigor os brancos seriam identificados com tonalidades de castanho claro e os pretos com tonalidades de castanho escuro!! Estão a ver a confusão, não?

Ainda não conheci nem vi nenhum preto ou preta que dançasse mal...costuma dizer-se que lhes está no sangue! Assim que se ouve uma música ou um som, é vê-los a mexer ao ritmo. As discotecas aqui são uma verdadeira concentração de dançarinas e dançarinos. Até no bar dessas discotecas, às vezes, temos que esperar que o barman termine a dança que lhe está a dar um notório prazer.

Tenho vindo a reparar nos últimos tempos que é frequente alguns ajuntamentos de miúdos para dançarem. São rodas que se formam, às vezes sem nenhum rádio presente. Pode até ser que uma música longínqua na cidade os faça mexer. Mas a música que dançam está-lhes na cabeça, no coração, na espontaneidade…

É muito engraçado vê-los ali, miúdos entre os 8 e os 20 anos a fazerem uma roda de dança, digamos uma battle na linguagem “técnica”. Provocações tipicas, novos movimentos, risada geral, admiração de alguns... Todos dançam, todos participam. Roupas coloridas e pés descalços. Não deixo de parar e ficar a olhar…e quem sabe, um dia, entrar e fazer o meu move. Mas não, estes são genuínos, são puros e embora eu goste, a dança não é a minha melhor qualidade!!

13 de julho de 2007

Raio X

Penso que estamos todos familiarizados com o raio X, certo? Sabemos por alto que tem a ver com a física, que é uma onda electromagnética, desvenda os mistérios dos nossos ossos, etc...

Mas este raio X de que falo hoje é o dos aeroportos, aquela barreira chata onde somos examinados ao pormenor para avaliar tudo o que levamos! Uma falta de privacidade individual para o bem do geral...

Vão aumentando a lista de objectos proibidos, descalçamos sapatos, tiramos sinto, expomos as moedas que temos nos bolsos, etc...

Por esta razão fiquei um pouco surpreendido com o episódio vivido no aeroporto de Luanda quando viajei para Lisboa! O senso comum diz-nos, olhando para a imagem abaixo, qual o elemento proibido, certo? É uma espécie de jogo: qual é o objecto errado?

Resposta correcta: canivete.......exactamente!! Por isso o meu espanto quando, ao passar no raio x, o senhor agente técnico controlador de supervisão me diz: "você tem pilhas na mala". Neguei, sem pensar muito no que tinha dentro da mala! Ele insistiu que eu tinha pilhas na mala....pensei um pouco e sim, de facto tinha pilhas. Mandou-me abrir a mala! Tinha oito pilhas na mala, dois conjuntos de quatro pilhas recarregáveis. Tirei da mala apenas quatro e pensei: "porra, agora vão ficar com as pilhas aqui...vou tentar dar apenas quatro e ficar com as outras". O senhor agente técnico controlador de supervisão disse-me que as pilhas não podem ir soltas. Se as pilhas são da máquina fotográfica, têm que estar lá colocadas. Quê? Espanto meu! Não acreditando muito bem no que estava a ouvir, coloquei as pilhas na máquina. Amavelmente o senhor agente técnico controlador de supervisão deu-me indicação para prosseguir...
Só depois de passar o raio x é que me lembrei que distraidamente/estupidamente tinha um canivete na mochila! Na Europa, se calhar, mandavam-me limpar o canivete, ou pediriam para ver se estava afiado, ou.....ficariam com ele!! Aqui o problema foi as pilhas...fora do seu devido lugar!

Deixo à imaginação de cada um o perigo que poderão representar quatro pilhas fora da máquina...

11 de julho de 2007

1º regresso...

Acabadas as férias, há que regressar ao trabalho e aos compromissos! Voltei hoje para Luanda. Vôo nocturno. Já fui mais fã de vôos nocturnos do que sou hoje. Como mal consigo dormir, é uma noite sempre mal passada! O mesmo não dirá o passageiro do meu lado que, com uma venda nos olhos, ferrou a viagem toda, só acordando para comer.....esperto!!
No aeroporto já se sente o país, a população...e começam logo a pedir que escorregue uma notita. Porque sim, porque não, porque lhes está no sangue. Escapo-me do primeiro e venho cá para fora à espera de boleia. Aproxima-se um, dois, três gajos, alternandamente a dizer que são dos serviços de alfândega (pois, claro!). Dizem que tenho que voltar lá dentro e revistar as malas. Digo-lhes: "mas vocês nem farda têm!!"
Penso: "estes gajos fazem o trabalho de alfândega cá fora?"
A esta altura era claro que não passavam de uns espertinhos a tentar sacar uma notita (mais uns!!).
NÃO, digo eu. To cá fora, as malas passaram, não volto lá dentro. Mas eles dizem que tem que ser. NÃO. Que o ordenado é pouco. NÃO. Uma ajuda só....uns euritos que tenham sobrado. NÃO. Confesso-vos que eles se tornaram tão chatos, que me venceram pelo cansaço! Escorregou finalmente uma notita, mas com a intenção de lhes comprar o silêncio...e resultou...desamparam a loja! Que 10 euros tão bem empregues!!
Cheguei a casa, pousei as malas e PUF....foi-se a luz! Que bela recepção...principalmente depois de saber que durante a minha ausência a luz faltou uma única vez!!
Dúvidas houvesse, cheguei a Luanda. Nada fácil o dia de hoje, depois de um regresso de umas reconfortantes e positivas férias!

4 de julho de 2007

Querem lá acreditar??

Ontem à noite vi uma barata no meu quarto!!! Coisa que nunca vi em mais de cinco anos que cá moro! Obviamente levantou-me a suspeita de ser uma barata "emigrante". Sendo assim, infiltrou-se nas minhas malas?...percorreu toda a distância Angola - Portugal? Não apresentou papéis na Alfândega? Esteve mais de uma semana por aqui incógnita? Se assim é, não posso deixar de admirá-la por isso...inquestionável a resistência destes bichos!
É claro que posso admirá-las, mas apenas num plano de compreensão da natureza e de uma vida sobrevivente.... Não é uma admiração de querer adoptá-la, de lhe dar comer, de lhe fazer uma casinha de madeira para ela, de lhe dar as boas noites....NÃO!! Aliás, o destino desta barata "emigrante" foi igual a tantas outras que ficaram no seu país...sapatada em cima e, PUF!