3 de outubro de 2007

Cristo (s) - Rei (s)

Nova terra, novos horizontes, novos desafios!
Encontro-me agora, desde sábado, no Lubango, a 2ª cidade de Angola e geograficamente localizada na Latitude: 14º 54’S e Longitude: 13º 31’E. O Lubango situa-se num planalto, sensivelmente a uma altitude de 1761 metros (referência do aeroporto) e é rodeada por montanhas, fendas, escarpas, etc… É um cenário alpino!
E foi essa a apresentação que eu tive da cidade…chegado no sábado, surgiu, no domingo, a oportunidade de uma caminhada pelas montanhas…aahhh maravilha!!

Não deveria chamar caminhada, mas sim um passeio até ao cume do monte, onde se encontra….ah….espanto…um cristo-rei! Surgiram-me logo duas questões. A primeira é a de saber quantos haverá no mundo, contando já 3…Lisboa, Rio de Janeiro e Lubango! A segunda tem a ver com o falar bem português, saber como se pronuncia a existência de mais do que um cristo-rei: cristos-rei?, cristos-reis?, cristo-reis? Estou certo que alguém desse lado me ajudará… Montanha acima, pela fresca, começa-se a ter uma vista panorâmica da cidade que, com arredores, já tem dimensões consideráveis.
Cerca de 10 pessoas alinharam no passeio, com diferentes ritmos, mas um único objectivo: alcançar o cimo, contemplar de perto o “senhor de braços abertos” e admirar a paisagem, já nocturna, da cidade do Lubango.

Mais fotos da cidade, mais próximas dos objectos, aguardam-se em post’s futuros!

1 de outubro de 2007

O formador que aprende...

A minha deslocação a Ondjiva teve o propósito de dar formação! Aí fui eu, de mochila, computador e folhas para “espalhar a palavra” e dar a conhecer conceitos de topografia e cadastro. Os meus alunos trabalham todos no que aqui se chama administração local…uma espécie de câmara municipal! Trabalham na área do planeamento urbanístico, que tanta falta faz por estes lados…

Encontrei uma desfasagem de conhecimentos dos alunos muito vasta. Aliás, como não podia deixar de ser, espelhando os próprios acontecimentos em Angola e em África em geral. Lidamos com o 8 ou o 80 constantemente, como aliás já se viu um pouco, neste blog, pelos post’s “Extremos…”. É caso para se dizer “tudo é possível”…vê-se de tudo!


Alguns dos alunos têm dificuldade em ler, lêem sílaba a sílaba. Quase todos escrevem muito mal…fazendo uma espécie de reinvenção da língua portuguesa. Maior parte dos alunos nunca ouviram falar nas palavras: topografia ou cadastro. Um dos alunos, no entanto, já tinha trabalhado em topografia…no terreno, com os aparelhos, na construção de uma estrada. Um outro aluno em especial, que é uma lenda viva da topografia…fazia, em tempos idos, topografia “à moda antiga”. Uma topografia que aprendi na faculdade como fazendo já parte da história. Sucintamente fazia-se assim: o topógrafo ia para um local alto e o único material que tinha era papel e caneta. Desenhavam, à vista, tudo o que viam…e a envolvencia ficava assim registada. Depois faziam-se algumas medidas, com fita métrica, para ajustar a relação entre os elementos da superfície. Fantástico ter tido ali um homem que trabalhou desse modo e aprende agora novas técnicas. Escusado será dizer que foi o melhor aluno!!


Outra aluna, uma testemunha da força de vontade, da vontade de aprender. Foi às aulas sempre com a filha ao colo! Uma menina de 9 meses, que na maior parte do tempo dormia ou comia. De facto, foi uma experiência nova para mim. Eis que a minha aluna chega no primeiro dia, filha ao colo, senta-se, ajeita-se, abre o decote, dá de mamar, a criança sorve…e, com os ruídos normais da refeição infantil eu falo…dou a aula (quase normalmente). Não bastava este insólito acontecimento, a aluna ainda se sentava sempre na primeira fila! De vez em quando a pequena Rossana fazia uma birrita, nada de especial. Suspendo a fala, olho para a mãe: “tudo ok?”. Podemos continuar.

No último dia, há um aluno que me diz: “professor, hoje eu terei que sair mais cedo…tenho um trabalho às 15h”. Não me senti no direito de perguntar nada mas, ele ainda assim quis explicar o trabalho que iria fazer. “Vamos ver quem são as pessoas com fome e mais vulneráveis ”. Já que ele disse, eu perguntei, para alimentar a conversa: “…ah ok…e vão lá registar as pessoas? Localizá-las?”. Ele responde-me com muito simplicidade: “não…vamos lá dar de comer!”. Fiquei sem saber o que dizer, fiquei meio atordoado! Sendo verdade o que ele me disse….dá que pensar…PORRA…e eu ali a falar da teoria de não sei do quê!!

28 de setembro de 2007

Quimbos em Ondjiva

Desloquei-me de Luanda a Ondjiva num instante, de avião. Por aí não houve questão nenhuma…uma viagem tranquila num belo boeing 727. A questão é a mudança radical de localidade. Ondjiva fica bem no sul de Angola, na zona central, a uns 40 quilómetros da fronteira com a Namíbia. Onde se notou a maior diferença foi na vila em si. Vindo de um ambiente densamente urbano, vim parar a um local bem pacato! Apesar de ser capital de província (o que corresponde a um distrito em Portugal) a vida aqui passa-se com MUITA calma.
Avenida principal de Ondjiva...à hora de ponta!
Há conceitos que visivelmente se alteram: um aglomerado de três carros já é um engarrafamento; de uma ponta à outra da vila, de carro, a 40Km/h, demora-se pouco mais de 5 minutos; o maior edifício tem 2 andares e a água chega-nos a casa através de carrinhas “tipo cisterna”.
O movimento é tão calmo que, em plena vila, as formigas têm tempo de construir impérios, torres de habitação. Aqui têm o nome de “areias de salalé”…é assim que chamam estas formigas trabalhadoras…
Mas o conceito que me fascina mais aqui é o dos Quimbos. São simples e comunitários. O terreno é do estado, a ocupação/exploração é das pessoas. Tem uma cerca grande, feita de paus, a limitar todo o terreno. Dentro desses limites há várias casas de palhota, umas para pessoas e outras para animais, e ainda o terreno de cultivo.
Pode lá viver uma família só…ou podem viver várias famílias…já contando com os descendentes. O tamanho do Quimbo é definido em função da capacidade de trabalho, com a agricultura e com o gado. Há um chefe (claro!) que pode ter até 5 mulheres…todas oficiais! Imagino que seja qualquer coisa como uma casa para cada mulher…depois o homem escolherá com quem passar a noite! O que não é nada mal pensado, principalmente para aqueles países onde a taxa de mulheres é maior do que a dos homens! Permite-se assim, resolver a questão das mulheres que “ficam para tia”! Impressionante, quase inacreditável, é que esses homens ainda têm amantes, não oficiais!! BOLAS...terão tempo para trabalhar??

24 de setembro de 2007

Olhó candongueiro...

Ainda olhando para os candongueiro que, afinal, são uma presença constante nesta cidade! Estas carrinhas, orginalmente de 9 lugares, aqui são adaptadas para 12 lugares sentados!
Uma observação mais atenta a estes cavaleiros do asfalto fez-me reparar que alguns têm nomes...que os identificam, que os diferenciam e, quem sabe, que espelham a filosofia do condutor!!




Neste "DODÓ" chamo a atenção para o acessório auto ao pé da porta do condutor! Quem não conhece, isto é um respirador para não estragar o motor quando o tubo de escape fica submerso. Acessório bem útil no tempo das chuvas...onde alguns candongueiros ficam submersos até metade das portas...










22 de setembro de 2007

Férias nos intervalos!


Regresso hoje à noite a Angola...e comigo regressa também a tertúlia...há muito tempo sem novidades!


A minha estadia em Portugal teve uma motivação profissional, várias motivações até...todas profissionais! Vim por uma semana para um curso intensivo de ciência! Hora de expediente, das 9h às 19h, sempre a acumular conhecimento! Mesmo assim, a minha cabeça ficou do mesmo tamanho...

Acrescentando o facto de ter de entregar a tese e ter umas reuniões em solo luso, eis que uma semana se transforma em duas! Tese entregue que, com papelada, secretaria, hora de atendimento, assinaturas, tempo curto...demorou mais do que alguma vez pensei! MAS JÁ ESTÁ!! Aguardo agora veredicto do júri... Reuniões, mais uma formação e preparava-me para regressar a Angola! EIS se não quando...não tenho lugar no avião...nem amanha, nem depois...e só mesmo daqui a uma semana! Estava a estadia automaticamente transformada em 3 semanas! Ilude-se quem pensar que foi uma semana de relax! Foi pois uma semaninha de intenso trabalho! Trabalhinho que nos alimenta o espírito, que nos coloca desafios, que nos enaltece enquanto cidadãos...e que no final do mês nos retribui com um punhado de euros, claro!!

Dada a minha actual condição de emigrante, as estadias na pátria sabem sempre bem...rever tudo e todos e encontrar aquele ambiente a que estamos tão comodamente habituados! Há a sensação que, por estarmos longe do local de trabalho, estamos meio de férias! É um rodopio e para quem já sentiu isto, sabe do que falo... As horas são preciosas, a agenda tem que ser muito bem preenchida e aproveita-se para fazer tudo e mais alguma coisa! Foi assim que estive nestas últimas semanas...a aproveitar as férias nos intervalos...

E eis que ficam aqui alguns momentos da minha agenda de lazer:


Algo que felizmente se tem vindo a repetir todos os anos: AS VINDIMAS. Por um fim-de-semana, embrenho-me nas técnicas tradicionais de produção do licor dos deuses. Sempre em convívio familiar, apanhamos uva, carregamos "canecos", pisamos e deixamos repousar o mosto para que em inícios de Novembro nos possamos deliciar... Este ano, caros amigos, podemos contar com 600 litros...



Fui a dois jogos de futebol, o Portugal-Polónia onde fomos brindados com uma merda de uma empate! Estádio a 80-85%...e uma presença massiva de Polácos...


O segundo jogo foi o SPORTING - Manchester United! Onde perdemos sim, mas com dignidade (se for possível esta conjugação)!!



Passei os meus anos com família e amigos, em plena Lisboa!! 27 aninhos!! Em cima presenteado com a presença de alguns amigos, família e uma fatia de chocolate, onde soprei num fósforo aceso...há quanto tempo não apagava velas!!! Em baixo presenteado com um beijo sensual da minha Anita!!


Concerto de MASSIVE ATTACK, visto em boa companhia no coliseu! Musica envolvente, descarga de decibéis....


Houve tempo ainda para uma coisa que adoro fazer...passear a pé por Lisboa, A MAGNÍFICA! Até conheci alguns novos locais...como é o exemplo deste insólito jardim! Estava vazio e nós, pelo sim pelo não, não nos sentámos nos bancos...continuámos o passeio em busca de locais mais vigorosos!!


Matei saudades da bela casa de Santa Engrácia, comtenplando o rio da janela... Mais umas mudanças e a pouco e pouco a casita vai-se compondo, apesar da minha actual ausência...