15 de outubro de 2007

Doença!

Era inevitável! Desde o primeiro post que todos sabemos que virus com nomes estranhos espreitam em cada esquina!

Como dizia o outro: “…é preciso muita saúde para estar doente neste país!”
Passada a doença...vejo-me a recuperar a olhos vistos e, daqui a uma semana, já devo beber uma cervejinha fresca!! eh eh....

10 de outubro de 2007

Aviso!

À porta de uma biblioteca na pacata vila de Ondjiva vi este aviso! Um aviso sincero e justo! Adoro a calma e o silêncio das bibliotecas, onde me posso sentar e beber conhecimento. Ouvir apenas as folhas a passar e os passos das pessoas a ecoar pela sala…é tranquilizante!

Neste aviso, numa lista de proibições, vemos, nos dois primeiros lugares, alguns objectos muito particulares que não devem fazer parte destes retiros literários. Neste caso, só falta acrescentar uma nota: por favor, seja sincero!!

Já com as mini-saias e “barriguinhas” não concordo…que mal trará ao conhecimento? Então e com tanta intelectualidade, um gajo não se pode distrair um bocado?


Vamos esquecer os erros ortográficos neste aviso, ok? Entraria numa espiral de “Angola no seu melhor” que não faz parte do registo deste blog…seria fácil demais!!

8 de outubro de 2007

BOMBA

De gasolina ou relógio?


Acontece muito, um pouco por todo o território Angolano. As bombas oficiais esgotam os seus depósitos com facilidade. O seu reabastecimento é difícil! Implica que os camiões cisterna percorram centenas de sinuosos quilómetros, dezenas de dificuldades, até levarem a bom porto os seus tanques! Uma das razões de os tanques esgotarem é o “abastecimento”, por parte da população, de bidons. Assim, e fazendo jus ao espírito negociante dos Angolanos, terão gasóleo quando este acabar nas bombas oficiais!

Vendem-no na rua, para safar os carros de médias e longas deslocações. Vendem-no a um preço mais elevado, claro está! Vendem-no nestas condições que se vêem na foto. O resultado é este indescritível e perigoso local, com litros de gasóleo todos juntos e mais uma botija de gás à mistura!! Existe um bombeiro de serviço, é certo, mas tenho as minhas dúvidas quanto à existência de meios!
Abastecemos e rapidamente continuamos o nosso pacífico caminho!

3 de outubro de 2007

Cristo (s) - Rei (s)

Nova terra, novos horizontes, novos desafios!
Encontro-me agora, desde sábado, no Lubango, a 2ª cidade de Angola e geograficamente localizada na Latitude: 14º 54’S e Longitude: 13º 31’E. O Lubango situa-se num planalto, sensivelmente a uma altitude de 1761 metros (referência do aeroporto) e é rodeada por montanhas, fendas, escarpas, etc… É um cenário alpino!
E foi essa a apresentação que eu tive da cidade…chegado no sábado, surgiu, no domingo, a oportunidade de uma caminhada pelas montanhas…aahhh maravilha!!

Não deveria chamar caminhada, mas sim um passeio até ao cume do monte, onde se encontra….ah….espanto…um cristo-rei! Surgiram-me logo duas questões. A primeira é a de saber quantos haverá no mundo, contando já 3…Lisboa, Rio de Janeiro e Lubango! A segunda tem a ver com o falar bem português, saber como se pronuncia a existência de mais do que um cristo-rei: cristos-rei?, cristos-reis?, cristo-reis? Estou certo que alguém desse lado me ajudará… Montanha acima, pela fresca, começa-se a ter uma vista panorâmica da cidade que, com arredores, já tem dimensões consideráveis.
Cerca de 10 pessoas alinharam no passeio, com diferentes ritmos, mas um único objectivo: alcançar o cimo, contemplar de perto o “senhor de braços abertos” e admirar a paisagem, já nocturna, da cidade do Lubango.

Mais fotos da cidade, mais próximas dos objectos, aguardam-se em post’s futuros!

1 de outubro de 2007

O formador que aprende...

A minha deslocação a Ondjiva teve o propósito de dar formação! Aí fui eu, de mochila, computador e folhas para “espalhar a palavra” e dar a conhecer conceitos de topografia e cadastro. Os meus alunos trabalham todos no que aqui se chama administração local…uma espécie de câmara municipal! Trabalham na área do planeamento urbanístico, que tanta falta faz por estes lados…

Encontrei uma desfasagem de conhecimentos dos alunos muito vasta. Aliás, como não podia deixar de ser, espelhando os próprios acontecimentos em Angola e em África em geral. Lidamos com o 8 ou o 80 constantemente, como aliás já se viu um pouco, neste blog, pelos post’s “Extremos…”. É caso para se dizer “tudo é possível”…vê-se de tudo!


Alguns dos alunos têm dificuldade em ler, lêem sílaba a sílaba. Quase todos escrevem muito mal…fazendo uma espécie de reinvenção da língua portuguesa. Maior parte dos alunos nunca ouviram falar nas palavras: topografia ou cadastro. Um dos alunos, no entanto, já tinha trabalhado em topografia…no terreno, com os aparelhos, na construção de uma estrada. Um outro aluno em especial, que é uma lenda viva da topografia…fazia, em tempos idos, topografia “à moda antiga”. Uma topografia que aprendi na faculdade como fazendo já parte da história. Sucintamente fazia-se assim: o topógrafo ia para um local alto e o único material que tinha era papel e caneta. Desenhavam, à vista, tudo o que viam…e a envolvencia ficava assim registada. Depois faziam-se algumas medidas, com fita métrica, para ajustar a relação entre os elementos da superfície. Fantástico ter tido ali um homem que trabalhou desse modo e aprende agora novas técnicas. Escusado será dizer que foi o melhor aluno!!


Outra aluna, uma testemunha da força de vontade, da vontade de aprender. Foi às aulas sempre com a filha ao colo! Uma menina de 9 meses, que na maior parte do tempo dormia ou comia. De facto, foi uma experiência nova para mim. Eis que a minha aluna chega no primeiro dia, filha ao colo, senta-se, ajeita-se, abre o decote, dá de mamar, a criança sorve…e, com os ruídos normais da refeição infantil eu falo…dou a aula (quase normalmente). Não bastava este insólito acontecimento, a aluna ainda se sentava sempre na primeira fila! De vez em quando a pequena Rossana fazia uma birrita, nada de especial. Suspendo a fala, olho para a mãe: “tudo ok?”. Podemos continuar.

No último dia, há um aluno que me diz: “professor, hoje eu terei que sair mais cedo…tenho um trabalho às 15h”. Não me senti no direito de perguntar nada mas, ele ainda assim quis explicar o trabalho que iria fazer. “Vamos ver quem são as pessoas com fome e mais vulneráveis ”. Já que ele disse, eu perguntei, para alimentar a conversa: “…ah ok…e vão lá registar as pessoas? Localizá-las?”. Ele responde-me com muito simplicidade: “não…vamos lá dar de comer!”. Fiquei sem saber o que dizer, fiquei meio atordoado! Sendo verdade o que ele me disse….dá que pensar…PORRA…e eu ali a falar da teoria de não sei do quê!!