Como dizia o outro: “…é preciso muita saúde para estar doente neste país!”
15 de outubro de 2007
Doença!
Como dizia o outro: “…é preciso muita saúde para estar doente neste país!”
10 de outubro de 2007
Aviso!
Neste aviso, numa lista de proibições, vemos, nos dois primeiros lugares, alguns objectos muito particulares que não devem fazer parte destes retiros literários. Neste caso, só falta acrescentar uma nota: por favor, seja sincero!!
Já com as mini-saias e “barriguinhas” não concordo…que mal trará ao conhecimento? Então e com tanta intelectualidade, um gajo não se pode distrair um bocado?
8 de outubro de 2007
BOMBA
Vendem-no na rua, para safar os carros de médias e longas deslocações. Vendem-no a um preço mais elevado, claro está! Vendem-no nestas condições que se vêem na foto. O resultado é este indescritível e perigoso local, com litros de gasóleo todos juntos e mais uma botija de gás à mistura!! Existe um bombeiro de serviço, é certo, mas tenho as minhas dúvidas quanto à existência de meios!
3 de outubro de 2007
Cristo (s) - Rei (s)
Encontro-me agora, desde sábado, no Lubango, a 2ª cidade de Angola e geograficamente localizada na Latitude: 14º 54’S e Longitude: 13º 31’E. O Lubango situa-se num planalto, sensivelmente a uma altitude de 1761 metros (referência do aeroporto) e é rodeada por montanhas, fendas, escarpas, etc… É um cenário alpino!
1 de outubro de 2007
O formador que aprende...
Encontrei uma desfasagem de conhecimentos dos alunos muito vasta. Aliás, como não podia deixar de ser, espelhando os próprios acontecimentos em Angola e em África em geral. Lidamos com o 8 ou o 80 constantemente, como aliás já se viu um pouco, neste blog, pelos post’s “Extremos…”. É caso para se dizer “tudo é possível”…vê-se de tudo!
Alguns dos alunos têm dificuldade em ler, lêem sílaba a sílaba. Quase todos escrevem muito mal…fazendo uma espécie de reinvenção da língua portuguesa. Maior parte dos alunos nunca ouviram falar nas palavras: topografia ou cadastro. Um dos alunos, no entanto, já tinha trabalhado em topografia…no terreno, com os aparelhos, na construção de uma estrada. Um outro aluno em especial, que é uma lenda viva da topografia…fazia, em tempos idos, topografia “à moda antiga”. Uma topografia que aprendi na faculdade como fazendo já parte da história. Sucintamente fazia-se assim: o topógrafo ia para um local alto e o único material que tinha era papel e caneta. Desenhavam, à vista, tudo o que viam…e a envolvencia ficava assim registada. Depois faziam-se algumas medidas, com fita métrica, para ajustar a relação entre os elementos da superfície. Fantástico ter tido ali um homem que trabalhou desse modo e aprende agora novas técnicas. Escusado será dizer que foi o melhor aluno!!
Outra aluna, uma testemunha da força de vontade, da vontade de aprender. Foi às aulas sempre com a filha ao colo! Uma menina de 9 meses, que na maior parte do tempo dormia ou comia. De facto, foi uma experiência nova para mim. Eis que a minha aluna chega no primeiro dia, filha ao colo, senta-se, ajeita-se, abre o decote, dá de mamar, a criança sorve…e, com os ruídos normais da refeição infantil eu falo…dou a aula (quase normalmente). Não bastava este insólito acontecimento, a aluna ainda se sentava sempre na primeira fila! De vez em quando a pequena Rossana fazia uma birrita, nada de especial. Suspendo a fala, olho para a mãe: “tudo ok?”. Podemos continuar.
No último dia, há um aluno que me diz: “professor, hoje eu terei que sair mais cedo…tenho um trabalho às 15h”. Não me senti no direito de perguntar nada mas, ele ainda assim quis explicar o trabalho que iria fazer. “Vamos ver quem são as pessoas com fome e mais vulneráveis ”. Já que ele disse, eu perguntei, para alimentar a conversa: “…ah ok…e vão lá registar as pessoas? Localizá-las?”. Ele responde-me com muito simplicidade: “não…vamos lá dar de comer!”. Fiquei sem saber o que dizer, fiquei meio atordoado! Sendo verdade o que ele me disse….dá que pensar…PORRA…e eu ali a falar da teoria de não sei do quê!!