22 de outubro de 2007

Medicamentos

Os médicos aqui em Angola receitam os medicamentos, ou a sua substância activa, consoante as queixas e sintomas do paciente, de uma forma peculiar! Quando alguém “está incomodado” (termo que aqui se usa para alguém que está doente) geralmente receitam sempre uma lista grande de medicamentos…estando as vitaminas no número um das terapêuticas aconselhadas! “Mal não faz”, dirão os médicos…e é verdade… Há quem diga que, quando o diagnósticos é fraco, o melhor é receitar muita coisa…alguma há-de curar!! Se não, há sempre chás milagrosos, mézinhas, rezas, etc…ao gosto de cada um! No meu caso, por exemplo, usei um “filtro de consciência”…o médico receitou-me 4 medicamentos e eu apenas comprei 2. Um deles era para as diarreias…que eu nem sequer tinha!!, o outro era substituível por Ben-u-ron!

Mas o elogio deste post vai para o “aviamento controlado” dos medicamentos. Se o médico receitar xelotafinogetalinoraxinamol (por exemplo) durante 3 dias, de 8 em 8 horas, perfaz-se a quantia de 3 x 3 = 9 comprimidos curativos. Chegamos à farmácia e a maior parte dos comprimidos encontra-se em boiões de plástico. Ele tira o número de comprimidos que necessitamos e faz-nos a conta: 9 comprimidos, a 100Kzs cada um, dará 900 kwanzas! Coloca os comprimidos em saquinhos de plástico com o respectivo nome. Pagamos o que vamos consumir…nada mais…e consumimos apenas o que foi receitado…nada mais! Para as tabletes de comprimidos, que contenham um número superior ao necessário, é fácil, recorta-se o excesso! As sobras hão-de, mais cedo ou mais tarde, satisfazer o “incómodo” de outro alguém!


Ora aí está uma bela solução!

Resolvem-se os seguintes problemas:
- Desperdício (aliviando um abastecimento, sempre difícil, de medicamentos)
- Armazenamento dos medicamentos que sobram, em local fresco e seco! Coisa que é difícil de ter aqui…
- Deitar fora os comprimidos fora de prazo em locais indevidos e evitar desvios

18 de outubro de 2007

Fronteira

A cidade do Lubango encontra-se no extremo oeste da província da Huíla, sobre um planalto, a mais de 1700 metros de altitude. As províncias aqui estão para Angola como as regiões estão para Portugal. A província mais próxima do Lubango é o Namibe, que proporciona belos passeios. A fronteira entre a Huíla e o Namibe tem que se lhe diga!

Primeiro, na estrada, encontra-se uma portagem!! Dia e noite…com contentores de apoio…ali está um posto fronteiriço…entre províncias do mesmo país! (imaginem uma portagem para passar do Alentejo para o Ribatejo!). Paga-se a módica quantia de 150 Kwanzas (1,5 euros) …esta é a fronteira burocrática.

Depois há a fronteira física! Deixa-se o planalto e a altitude começa a descer vertiginosamente para um outro cenário, mil metros mais abaixo! É uma abrupta mudança que a mãe natureza nos oferece com um imponente espectáculo de escarpas e sensações vertiginosas!

Perante este cenário, a força humana, humildemente térrea, dispôs-se a tentar contornar a majestosa descida. E verdade seja dita…inaugurada em 1972, vê-se, ainda hoje, uma obra de se lhe tirar o chapéu: a estrada da Leba! Imagino as complicações, as dificuldades, os contratempos na construção desta estrada…no local que é, com os meios que havia, na época que foi! Acho que é nestas situações que a engenharia anda lado a lado com a arte…


Em termos de condução é simples…concentração máxima, mudança em 2ª, velocidade reduzida e…se ajudar, uma boa música no rádio! Camiões carregados de pedras, areias, materiais percorrem também esta estrada, a passo de caracol, a 5Km/h!


A ferocidade do percurso é tanta que alguns motores são vencidos pelo declive…pelo prolongado declive! Depois deste percurso, somos levados, por caminhos bem mais calmos, para a província do Namibe, onde o cenário vai mudando…até chegarmos ao mar, onde o sol se põe!


15 de outubro de 2007

Doença!

Era inevitável! Desde o primeiro post que todos sabemos que virus com nomes estranhos espreitam em cada esquina!

Como dizia o outro: “…é preciso muita saúde para estar doente neste país!”
Passada a doença...vejo-me a recuperar a olhos vistos e, daqui a uma semana, já devo beber uma cervejinha fresca!! eh eh....

10 de outubro de 2007

Aviso!

À porta de uma biblioteca na pacata vila de Ondjiva vi este aviso! Um aviso sincero e justo! Adoro a calma e o silêncio das bibliotecas, onde me posso sentar e beber conhecimento. Ouvir apenas as folhas a passar e os passos das pessoas a ecoar pela sala…é tranquilizante!

Neste aviso, numa lista de proibições, vemos, nos dois primeiros lugares, alguns objectos muito particulares que não devem fazer parte destes retiros literários. Neste caso, só falta acrescentar uma nota: por favor, seja sincero!!

Já com as mini-saias e “barriguinhas” não concordo…que mal trará ao conhecimento? Então e com tanta intelectualidade, um gajo não se pode distrair um bocado?


Vamos esquecer os erros ortográficos neste aviso, ok? Entraria numa espiral de “Angola no seu melhor” que não faz parte do registo deste blog…seria fácil demais!!

8 de outubro de 2007

BOMBA

De gasolina ou relógio?


Acontece muito, um pouco por todo o território Angolano. As bombas oficiais esgotam os seus depósitos com facilidade. O seu reabastecimento é difícil! Implica que os camiões cisterna percorram centenas de sinuosos quilómetros, dezenas de dificuldades, até levarem a bom porto os seus tanques! Uma das razões de os tanques esgotarem é o “abastecimento”, por parte da população, de bidons. Assim, e fazendo jus ao espírito negociante dos Angolanos, terão gasóleo quando este acabar nas bombas oficiais!

Vendem-no na rua, para safar os carros de médias e longas deslocações. Vendem-no a um preço mais elevado, claro está! Vendem-no nestas condições que se vêem na foto. O resultado é este indescritível e perigoso local, com litros de gasóleo todos juntos e mais uma botija de gás à mistura!! Existe um bombeiro de serviço, é certo, mas tenho as minhas dúvidas quanto à existência de meios!
Abastecemos e rapidamente continuamos o nosso pacífico caminho!