Pois neste momento estamos a assistir a um novo período deste “monumento” da cidade. Talvez uma “operação plástica” para que possa suportar o cada vez maior fluxo de trânsito e pessoas na cidade.
Sob técnicas “Dubaianas” reinventa-se espaço de terra firme na baía de Luanda. Barcos, bóias, escavadoras e holofotes concentram-se, desde Setembro, a extrair areia do fundo da baía e colocá-la junto à costa, fazendo uma extensão ao calçadão cá do sítio.
Toneladas de areia são injectadas dia e noite para a superfície onde, depois de lapidadas por escavadoras, formam um lindo e brilhante areal que, daqui a uns tempos, preencherá a baía por completo.
Projecto do qual já se fala há algum tempo, planeia a colocação de esplanadas, restaurantes, locais de lazer e espaço para passear em plena marginal. Prevê também o alargamento das estradas de acesso. Aliviam assim a famosa “ilha de Luanda” (a caminho da saturação), exploram mais a parte baixa da cidade, dando-lhe vida e dispersam mais as pessoas. Até aqui tudo bem…não estivéssemos em Luanda!! Acredito seriamente que haverá pelo menos 100 prioridades a esta construção megalómana.
Mesmo assim, caros amigos, vamos combinar uma coisa. Fazem-me o favor de ficar impressionados com esta obra de progresso, espalhar a palavra de que Luanda está ao nível de um Dubai com projectos ousados e socialmente úteis, ok? E não digam a ninguém que a 100 metros desta megalomania se encontra um musseque de dimensões consideráveis, onde as condições de vida são demasiado humildes e difíceis. Não contem a ninguém que as estradas para chegar à marginal (e tantas outras) têm vindo a ser devoradas pelas chuvas, abrindo buracos que engolem carros…
