31 de julho de 2009

O regresso da Tertúlia

Pois é, depois de tanto tempo em silêncio, a TERTÚLIA AFRICANA renasce, mais não seja, durante as próximas 3 semanas! Novas páginas se reabrem para contar novas histórias. Comprometi-me a alimentar este espaço sempre que estivesse em África...e assim irá acontecer!

Faz-me sentido que assim seja!

blogof.francescomugnai.com

Porquê África? Porque o "bichinho" de que tanto se fala é real e eu fui contagiado há muitos anos! É um continente pobre, com carências graves, falhas sociais, história recente sangrenta...sim! Mas as pessoas sorriem facilmente, as paisagens são esmagadoras, somos constantemente surpreendidos, aprende-se praticamente todos os dias e o pôr do sol é único!

Desta vez vou para Moçambique, de férias! Colocarei também uma, ou duas, mãos cheias de contactos na mala...e tentarei a minha sorte, no campo profissional! Quem tiver contactos em Moçambique e mos possa dar, serão bem-vindos (abcpinheiro@gmail.com). Todos valem, mesmo que fora da área profissional, os quais já tenho vindo a recolher...

Porquê ir? Porque sou novo, porque não tenho responsabilidades de maior que me prendam, porque gosto de aventura e porque critico quem diz "quando era novo é que devia ter feito...agora é tarde".

Por tudo isto...vou-me fazer à estrada, no próximo dia 8, começando pela estrada aérea de 10 horas que me levará a Maputo. Não sei se conseguirei alguma coisa, mas vou lá e tentarei certamente...


8 de maio de 2008

Trilhos de Angola

Em Angola, a informação geográfica, quando existe, está, muitas vezes, desactualizada. Surge então a preocupação básica de recolher informação actual...às vezes tão difícil pelos trilhos sinuosos existentes.

Os nomes das divisões administrativas escrevem-se, às vezes com K's, outras vezes com C's.

Com os nomes das localidades, às vezes não é fácil chegar a um concenso!

Surgiu então um projecto, os "TRILHOS DE ANGOLA", que têm essa preocupação...e qualquer um pode contribuir. Ainda nos primeiros passos, mas com passada segura...

É dinâmico? Tem GPS? Passeia por Angola? Venha adiccionar informação neste pote geográfico...

29 de abril de 2008

Caso Fritzl

Hoje choca-nos o caso Fritzl. A mim também me choca. Estamos perante um caso que, análogamente, me faz lembrar a escala de Richter para os terramotos. É uma escala aberta porque fisicamente é possível a Terra abanar mais. Felizmente nunca foi presenciado. Este caso Austríaco é um pouco assim...é conhecido hoje uma parte das atrocidades que os humanos podem fazer uns aos outros. A história é macabra e custa-me a crer que uma mente humana tenha, por tão longo período, mantido tão horrível farsa. Não quero dissertar sobre os acontecimentos, nem opinar sobre os mesmos. Quero deixar aqui uma ideia que me passou hoje no Metro, a ler no Metro esta notícia.

Não me levem a mal o que digo, mas:

- com água canalizada;

- aparente limpeza;

- organização;

- existência de elementos decorativos;

...sou levado a pensar que estas "caves horrendas" ou "masmorras do terror" têm melhores condições que muitos lares Angolanos!

22 de abril de 2008

Fotos e pegadas

Num local turístico, não sei bem onde, nem quando, vi uma frase que não esqueci:

"Não leve senão fotos, não deixe senão pegadas"

Vá lá...ainda me lembro da frase...

Achei muito boa a frase, para que nos sintamos responsabilizados nas visitas turísticas! E, como é isso que (também) tenho feito em Angola, decidi partilhar a frase, reflectindo o seu conteúdo.

Quanto às fotos, já fui deixando uma boa percentagem aqui no blog, reportando locais, histórias, aventuras e até alguns pensamentos (imagine-se!).

As pegadas fui deixando numa boa parte do território Angolano. Tanto em trabalho como em passeio tive o prazer de viajar por uma grande parte do território, um país bem bonito, mas demasiado massacrado!

Estive em 11 das 18 províncias e percorri mais de 5000Km por estrada, por estas estradas!

Ficam algumas más recordações: algum racismo e algumas situações de maior vulnerabilidade. Mas a maior parte das recordações são muito positivas, numa terra que nos surpreende quase diariamente…para o bem ou para o mal. O contacto com pessoas em locais bem remotos, a convivência com vidas muito diferentes, o desenrasca de muitas situações e, a acompanhar isto tudo, o sorriso e a paciência que são necessários para “encaixar” alguns cenários.

Ficou uma experiência da qual nada me arrependo…

As bolinhas indicam os locais onde deixei a pegada...e em quase todos deixei também, pelo menos, uma noite de sono! As linhas a vermelho indicam os percursos terrestres, feitos de carro, de jipe, ou mesmo de candongueiro...

16 de abril de 2008

À engenharia...

Quer se goste dela ou não, tem que se admitir que é imprescindível. A engenharia cobre vários ramos da ciência e em todos eles tem um papel preponderante. É através da engenharia que as civilizações vão dando passos evolutivos. Além das óbvias pontes e edifícios, temos também a investigação noutras áreas menos visíveis, mas igualmente importantes. O ADN tem vindo a ser traduzido pela engenharia genética, a descoberta de novos materiais vem, em parte, da engenharia Química, etc…

Este post é uma homenagem específica à engenharia automóvel! Quando os engenheiros, lá nos seus gabinetes, desenham um veículo, pensam na sua longevidade… Pensam no tipo de piso onde determinado veículo vai andar, pensam o clima mais específico para determinada opção, pensam na vida dum motor em função do seu esforço, pensam no cansaço do chassis, pensam em tudo!
Não imaginam eles que os carros que desenham possam ter várias vidas e prolonguem o seu fim…ao máximo!

Uma grande parte do parque automóvel de Luanda é constituída pelo ressuscitar dos carros provenientes, maioritariamente, da Europa! Carros usados ou muito usados que chegam a Angola para, diria, uma nova Era nas suas vidas.

Carros que (parece que) não servem na Europa…são muito bem vindos em Angola. Até seria giro fazer o rasto de alguns carros…qual a sua utilização ao longo da sua vida e ao longo dos continentes. O seu fim, aqui, é quase sempre o mesmo…desmantelação massiva…é que só sobra mesmo a carcaça. É que só sobram mesmo as peças que não têm mais parafusos nem encaixes!

Antes da ultrapassagem

Para complicar ainda mais a vida de cada bólide, eles encontram aqui um percurso de vida bem penoso…que nem sei por onde começar a lista. Não é fazer queixinhas, é…fazer observações…

As estradas, apesar de muito trabalho de recuperação, andam como o queijo suíço…cheias de buracos. Buracos dinâmicos que aparecem da noite para o dia de diversas dimensões. Buracos que conseguem imobilizar uma carrinha…e que, quando chove, ninguém sabe onde eles se encontram!

O trânsito obriga a um zig-zag que, para as suspensões, deve parecer o interior do “Touro mecânico”. O pára e arranca e as travagens bruscas colocam todas as pecinhas a funcionar. Ao fim da tarde, no funil de regresso a casa, quando se inventam 6 faixas no espaço de duas, é a chapa quem paga! Os pneus “recauchusados” pregam algumas partidas, num piso que reserva sempre surpresas.

Todas estas máquinas andam com um combustível que demora a chegar aos seus depósitos. Num país que caminha para os 2 milhões de barris de petróleo por dia, a gasolina das bombas muitas vezes esgota-se. O mercado paralelo cresce assim como alternativa, com bom e mau sentido. A gasolina chega mais perto das pessoas com maior frequência, mas a exigência do negócio envolve alguma perda de pureza dos ditos químicos.

Embora as marcas que cheguem agora já se façam acompanhar de alguma assistência técnica, o volume de avarias é gigante, principalmente na camada informal de veículos!

Se se costuma dizer que em cada Português há um treinador de futebol, deixem-me alargar a ideia e ainda dizer que há um mecânico em cada Angolano… Com as ferramentas que tiverem, com alguma sabedoria que tenham absorvido, mas com muita intuição também…arranjam, ou remendam os seus carros. E digo-vos…o que é certo é que as máquinas continuam a rolar…

Acadadinho de fazer uma ultrapassagem

Assim sendo, um grande bem-haja aos senhores engenheiros que desenham os carros com uma vida que é largamente ultrapassada…em tão difíceis condições…

A andar à minha frente