16 de janeiro de 2008

Perspectiva

É mesmo uma questão de perspectiva!

No contexto rodoviário estamos certamente conscientes de que o álcool está na origem de muitos acidentes. O álcool amolece o condutor, tira-lhe reflexos, limita-lhe a capacidade de previsão, etc... Por isso mesmo um dos avisos mais difundidos é a relação perigosa entre álcool e volante. Até ao alcance em que as palavras influenciam, várias frases se tornaram comuns entre nós! Quem não se lembra do slogan "SE CONDUZIR NÃO BEBA" nas bermas das nossas estradas?

Este tipo de informação deve-nos chegar sempre, de diversas formas, em diversas alturas, mas não deve, nunca, deixar de chegar! Aqui em Luanda também esta preocupação nos chega, numa fase muito inicial, de aprendizagem! Chega-nos no entanto um pouco alterada.

Ainda em português e igualmente bem escrita, a troca de palavras arrasta a troca de prioridades. "SE BEBER NÃO CONDUZA" reflecte a ideia de que, se o mal está feito, não deve pegar no volante. A advertência mantém-se, a convivência entre o copo e o volante é prejudicial... O que não se mantém é o pensamento!

Hoje em dia, confesso, sou mais apologista de campanhas violentas, mensagens de choque, imagens agressivas. Se uma imagem vale por mil palavras, porque não mostrar o resultado da asneira? Se há preguiça de ler uma ou duas frases, eis que a imagem nos trará a mensagem…

11 de janeiro de 2008

Recordações

...dos passeios!

...da descoberta!

...das gargalhadas!

...do frio e do calor!

...dos beijos e olhares!

...da música na estrada!

...de conhecer novos locais!

...de não olhar para o relógio!

...de uma férias bem passadas!
...de conhecer mais do meu país!

...de um Alentejo frio, bonito, mas abandonado!















8 de janeiro de 2008

...e o jogo, viste?

Estou de volta a Luanda, para mais uma temporada de trabalho. Como ainda não regressou muita gente, a cidade encontra-se relativamente calma. O trânsito está apenas caótico e, inesperadamente, há muita luz por toda a cidade. É um mistério que ainda não esclareci…ainda não faltou luz em minha casa. MAS, para não agoirar…fim de conversa! Reencontrei a malta angolana, bem adaptada a este calorzinho e, também eles, regressados de férias.

Em conversa com um colega angolano, querendo saber de novidades, surgiu:
- Então pá…como está a tua miúda? – Perguntei eu
- Miúda? Qual delas é que estás a perguntar?
Ok…percebi que as férias têm sido positivas, que este companheiro tem feito sucesso junto da comunidade feminina e que, acima de tudo, sem nada a assinalar, sejam quantas forem…estão todas bem!
Estava tudo explicado quanto a este tema. Mudando de assunto, quis contar-lhe uma grande nova que recebi quando fui a Portugal: VOU SER TIO….
Entusiasmado, contei-lhe isso, partilhando a minha alegria!!
- Epa…sabes da última? Grande notícia me deram em Portugal, vou ser tio!! É a minha única irmã e o meu primeiro sobrinho. Estou muito contente…
- A sério? Olha que bom…eu também vou ser tio.
(gargalhada)
- Grande coincidência. Deves estar também todo babado não? É o teu primeiro sobrinho?
- Não…é o décimo sétimo. Tenho 15 irmãos e alguns tios são mais velhos que eu…
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BOM…e o futebol, hã? O grande SPORTING tá a passar mal pá...

29 de dezembro de 2007

Impacto

Dezembro. Deslocação Luanda-Lisboa. Impacto.
Nesta quadra natalícia a vinda a Portugal acarreta uma mudança brusca dos hábitos diários. Em primeiro lugar há a mudança repentina de estação do ano. Directamente do verão, vem-se parar ao Inverno rigoroso…um Inverno gélido. Com 20 graus de diferença tem que se ir mesmo ao fundo do baú e buscar aquelas coisas inúteis em Luanda: casacos, cachecóis, gorros, meias grossas. Não estou a exagerar meus amigos…posso dizer-vos que sofri nos 2 primeiros dias. Cheguei mesmo a pensar que o “todo-poderoso” estava a ser, sem razão aparente, demasiado severo para com as gentes de Portugal. Só depois percebi que era normal…era Inverno.

Depois houve o impacto de rotinas. Mesmo sendo o Natal um acontecimento quase mundial, a azafama que aqui encontrei foi demasiada! Andavam pessoas nas lojas tipo formiguinhas trabalhadoras a fazer compras de Natal. Seguindo várias estratégias, comprando atempadamente ou na manhã do dia 24, havia sempre enchentes de lojas e centros comerciais. Não fui imediatamente “mordido” por este sindroma. Chegado de uma cidade que tem UM centro comercial senti-me em pânico de fazer um roteiro deles aqui na cidade. Usando a máxima de que o Natal é quando o Homem quiser, fiz as minhas comprinhas, calmamente nos dias a seguir ao 25. O que conta é a intenção…

Para culminar estas mudanças…ia atropelando uma pessoa nos primeiros dias de condução em Lisboa. Chegado de uma cidade onde o peão é a última coisa a ter prioridade nas estradas, não me dei bem com os estranhos hábitos que aqui se têm! Não é que com a mania de direitos humanos, responsabilidades civis, valor moral do cidadão e o caraças, esta malta atira-se para a estrada convencidos de que o carro vai parar? Numa passadeira sem semáforo, o peão achou-se no direito de atravessar a estrada quando bem lhe apeteceu…sem esperar que o carro lhe desse autorização visível!!! Onde já se viu? Amiguinho peão…dou-te um conselho: se fores a Luanda tem calma a atravessar a estrada e olha para todos os lados, mesmo os que não são óbvios!!

12 de dezembro de 2007

Dubai in Luanda

Já tive oportunidade de vos falar da famosa marginal de Luanda. Uma senhora marginal, envelhecida e desgastada, mas ainda com um porte admirável! Larga, com construções palacianas, é uma referência nesta cidade. Eu confesso que mesmo com as imagens que tinha dela, com as expectativas que criei…fiquei agradavelmente surpreendido quando a vi pela primeira vez!

Pois neste momento estamos a assistir a um novo período deste “monumento” da cidade. Talvez uma “operação plástica” para que possa suportar o cada vez maior fluxo de trânsito e pessoas na cidade.

Sob técnicas “Dubaianas” reinventa-se espaço de terra firme na baía de Luanda. Barcos, bóias, escavadoras e holofotes concentram-se, desde Setembro, a extrair areia do fundo da baía e colocá-la junto à costa, fazendo uma extensão ao calçadão cá do sítio.

Toneladas de areia são injectadas dia e noite para a superfície onde, depois de lapidadas por escavadoras, formam um lindo e brilhante areal que, daqui a uns tempos, preencherá a baía por completo.

Projecto do qual já se fala há algum tempo, planeia a colocação de esplanadas, restaurantes, locais de lazer e espaço para passear em plena marginal. Prevê também o alargamento das estradas de acesso. Aliviam assim a famosa “ilha de Luanda” (a caminho da saturação), exploram mais a parte baixa da cidade, dando-lhe vida e dispersam mais as pessoas. Até aqui tudo bem…não estivéssemos em Luanda!! Acredito seriamente que haverá pelo menos 100 prioridades a esta construção megalómana.

Mesmo assim, caros amigos, vamos combinar uma coisa. Fazem-me o favor de ficar impressionados com esta obra de progresso, espalhar a palavra de que Luanda está ao nível de um Dubai com projectos ousados e socialmente úteis, ok? E não digam a ninguém que a 100 metros desta megalomania se encontra um musseque de dimensões consideráveis, onde as condições de vida são demasiado humildes e difíceis. Não contem a ninguém que as estradas para chegar à marginal (e tantas outras) têm vindo a ser devoradas pelas chuvas, abrindo buracos que engolem carros…