1 de abril de 2014

My Love


É de facto preciso ter um sentido de humor muito descontraído, para dar a classificação de “My Love”. Na verdade trata-se de uma das formas menos humanas de transportar pessoas. Surgem numa coincidência de variáveis:

 1. O fluxo crescente de pessoas que diariamente têm que entrar e sair da cidade de Maputo;
 2. Escassez de transportes fechados (machibombos ou chapas).


O resultado dá em pessoas transportadas em caixas abertas! Este tipo de transporte foi proibido no passado, mas neste momento não há como negar: a pressão das pessoas que têm que ser transportadas é enorme! 


Agora vem o humor. “My Love” surge do facto de, à falta de locais para cada um se agarrar, as pessoas têm que se abraçar, dar as mãos, encostar. Tudo isto com pessoas que, na sua maioria, se desconhecem. Certamente surgirão casos, uns mais transparentes que outros, no caminho percorrido, mas o desconforto deve ser muito. Quando chove os passageiros só podem semicerrar os olhos para minimizar a quantidade de água na vista. Evitar molhar a roupa e pertences é tarefa inglória.


Alguns dos “My Love” soldam uns ferros, para prolongar as laterais, para que as pessoas se apoiem e vão todos de pé. Não quero parecer profeta da desgraça, mas um desses apoios ceder é uma desgraça generalizada...


A própria Yumi participou neste movimento de “My Love” há uns tempos. Uma estranha forma de amor, pois tinha um rabo espetado na cabeça, mas o amor não olha a esses pormenores...apenas existe...



14 de fevereiro de 2014

Tofo Tofo


Não sei em que é que este blog se transformará se eu começar aqui a falar de restaurantes, mas acreditem, este merece! Fica no Tofo e o seu nome é a dobrar, Tofo Tofo. Decoração simples, cadeiras desconfortáveis e uma árvore no meio do espaço a dar um toque de natureza.


Os empregados de mesa espalham sorrisos, falam inglês suficiente para satisfazer os muitos estrangeiros que por ali passam e são rápidos (característica valiosa e determinante na escolha de um restaurante nas províncias de Moçambique).


A cozinha é daqueles sítios que não convém olhar muito: escura, de paredes e chão escuros. Mas com o lume sempre aceso e um exército de cozinheiras, em azáfama, a alinharem temperos e panelas, produzem diversos pratos, a uma velocidade surpreendente.


A comida...a comida...é pena eu não conseguir enviar alguma por este blog, devido às ainda existentes limitações da internet nos cheiros e sabores! Uma delícia!


Têm dois menus: o imediato, escrito a gis, num quadro de ardósia pendurado na parede e o clássico, em papel. Escolham qualquer um e não tenham receio de não gostar. É o único sítio que me lembro onde a comida escolhida ao calhas, é sempre uma boa opção! Ainda não houve desilusões...

Conseguem satisfazer nas entradas, no prato principal e até nas sobremesas!



Não sei qual o segredo, mas funciona! BRAVO...

24 de janeiro de 2014

Um caminho diferente...


Noutro dia o caminho para o trabalho foi diferente. E que bem que sabe quebrar a rotina! Calhou-me ir à ponta Milibangalala, na reserva especial de Maputo.  No caminho a grande diferença era a terra batida, porque a trepidação também é oferecida nos buracos de Maputo.


 A paisagem é que era um pouco mais desafogada...


 Sinalização vertical à beira da estrada também havia. Mas mostrando uns sinais bem diferentes do habitual.
 

Matabicho na savana, para um grupo de zebras e congestionamento na lagoa, com aglomerado de hipopótamos.





Apesar de não haver trânsito, ficamos presos na estrada à mesma. E quando digo preso, é presos...é atolados até meia roda! Uns removiam areia, outros estavam de olho nos hipopótamos.



À chegada a visão do “escritório” foi outra. Dunas muito protegidas pela vegetação, criando um relevo e paisagem dignos de conto de fadas. 



Aqui ainda desaguam tartarugas para por ovos. O mar é partilhado entre baleias, golfinhos e cargueiros, que passam ao largo. Mas se este tesouro for bem mantido, é um ganho incalculável para a flora Moçambicana. Será respeitado até pelos navios poluentes, que tudo farão para alargar a rota e deixar a natureza em paz...




5 de janeiro de 2014

Shanti Yoga Maputo


Uma ideia para realizar as resoluções do novo ano...


YOGA IS BEING PRESENT


YOGA IS NOT SERIOUS. IT'S FUN


WE SWEAT A LOT


YOGA IS FLOWING WITH BREATH


YOGA IS POWERFUL


YOGA MAKES YOU SMILE


LETS FLOW
LETS SWEAT
LETS SMILE 


Yumi Choi: yum117@msn.com / +258-820411260


20 de dezembro de 2013

Qual janela?


Ás vezes é esta a sensação que tenho!


Alguns órgãos de comunicação social trazem informações a casa que não ligam com o que vemos da janela. Será que da janela deles têm outra vista, ou alguém lhes fechou a cortina?

Moçambique vive um período agitado, é certo, como aliás tem sido bombardeado nas notícias internacionais. Mas espreitar os vizinhos sem os ouvir, pode dar azo a más interpretações, e o que tem chegado além-fronteiras são notícias desproporcionadas da realidade, parece-me. Maputo não é uma “cidade fantasma”, como se chegou a dizer num dos jornais portugueses.

Por aqui vive-se uma aparente calma, e essa é alimentada pela comunicação social nacional: inicia-se a campanha agrícola, discute-se o novo código penal, as chuvas que agora começam, comentam-se resultados desportivos, enfim, o normal! Alguns dos media conseguem furar esta venda que os cega e oferecem notícias do que se vai passando. Vão chegando assim informações sobre ataques de guerrilha no centro do país, falta de transparência eleitoral e raptos de pessoas nalguns pontos do país.

Os governantes dizem que muitas das noticias são “boatos” e referem-se a “histórias inventadas por pessoas de má-fé”. Fico perdido! Mas não se pode viver em constante pânico, na ânsia que na meia hora seguinte algo de ruim se vai passar. Temos que estar atento e tentar filtrar toda a informação que nos chega. Nesta Era da comunicação, por vários canais, os cidadãos falam e vão contando histórias que se passam. Considero este o canal mais verosímil de informação. Um dos jornais locais tem, inclusive, um espaço que chama de “cidadão reporta”, onde são reunidos relatos pessoais, enviados de várias formas. O FB tem dado uma dinâmica enorme a estas notícias, com fotos e links a reportar algumas situações.

Também já é público que os financiadores internacionais, que têm apoiado Moçambique com milhões de dinheiros, começam a franzir o sobrolho e a exigir que se restabeleça a bonança, base do desenvolvimento.

Assim, fica lançada a confusão total! Cria-se uma situação de desconhecimento sobre a instabilidade. É real ou não? Se falta paz de espírito às pessoas, dificilmente se produz e se tem uma vivência normal!


Usando o meu direito de reacreditar no pai natal, peço-lhe que espalhe pozinhos de transparência por estas bandas, caso apanhe alguns pelo caminho...