13 de abril de 2015

Pemba!

É com estranho sentimento de regresso a casa que chego a Pemba. Desta vez fomos mostrar as belas praias à Bia...
É difícil esquecer o paraíso onde vivemos, e passo a explicar porquê.

Pemba é a única cidade que conheço com 3 frentes de mar. Se conhecerem outra....avisem....



À saída do avião somos sempre recebidos por um familiar bafo!



Água morna e sem ondas.


Calor permanente.




Nascer da lua dum lado...


Por do sol do outro...



Janta-se na praia,



Descansa-se numa rede entre dois coqueiros.







Improvisa-se o banho e todos parecem satisfeitos com isso.




Faz-se da água uma sala de convívio.



Dorme-se ao ar livre.



Navega-se entre mangais.



Iluminados pela fogueira. Iluminados pelo pôr do sol.



Visita-se o atelier da Ikuru, que trabalha com mestria a capolana.



Risadas deliciosas.



Contagia-se a Bia nos prazeres simples da vida.



Ainda ao redor da rede, um vendedor a trazer peixe fresco.

E para quem diz que Pemba é o fim do mundo, pois bem vindo sejas, fim do mundo! :)

2 de março de 2015

A porta 4

Numa instituição pública em Maputo.

A fila faz-se em largura, à medida do balcão, mas as pessoas para atender são escassas! De maneira que se vai ganhando posição à força de cotovelos, para sermos atendidos por um(a) funcionário(a). Mas ele(a) não parece estar muito sintonizado com o que dizemos, evitando o contacto visual e distraindo-se facilmente. Preparamos o discurso para ser objectivo mas ao fim de 3 palavras ele(a) tem que atender uma chamada, ou é interrompido(a) por um(a) colega. O discurso longo não resulta! Opta-se por um discurso mais curto, tipo telegrama, procurando sintetizar tudo o que se quer dizer em palavras-chaves. A mensagem chega, mas a solução nem sempre...

Se o caso é rotineiro, não há crise. O problema chega quando o caso foge um pouco da linha ou tem trâmites diferentes do habitual. Tal como na rábula “Papel, qual papel” dos Gatos Fedorentos, a dança do processo pode levar...dias, semanas! Prepara-se toda a documentação que nos foi pedida…mas quando se entrega falta um papel, ou em vez da cópia X, afinal é preciso o certificado Y. É comum, ao fim de algumas tentativas, ouvir-se “Vá falar com fulano tal...”. Facto que traz nova bolha de oxigénio e esperança de ver o caso resolvido, pois no balcão a coisa não anda. A personalização do serviço obriga a ficar ligado a essa pessoa, tendo frequentemente os seus contactos pessoais de telefone.

Muitas vezes não é fácil, seja porque é um caso raro, seja pela demora que já leva, seja porque a pessoa que assina está ausente, o que carimba não está ou o que entrega está reunido! São justificações que já se conhecem e de certa maneira conforta pela normalidade. Pior seria ouvir “isto não se pode resolver”, ou pelo contrário “isto vai-se resolver num ápice, esteja descansado”. Aí seria logo de desconfiar e pensar que não se é levado a sério! Estaria derrotado à partida. Quando se ouve “volte amanhã”, por vezes é um alívio. Naquele dia as energias estavam mesmo a esgotar-se e o voltar amanhã reconforta, pois no dia seguinte é que é. Voltaremos frescos e com sorriso renovado, embora sustentado por uma fraca crença. E no dia seguinte repete-se o mesmo: pessoa x, documento y, volte amanhã…ou volte daí a 3 dias!

Nalgum momento tem que se levantar a voz e mencionar as voltas dadas, tempo gasto e o processo que continua por resolver! Embora seja diferente de pessoa para pessoa, há um limite para todos…e acaba-se por atingi-lo! Eis que ao final de alguns dias se ouve: “Vá à porta 4”. Renasce a esperança e “agora é que é!” volta a ser o pensamento que nos assalta a cabeça com muito mais força. Acha-se que finalmente ter-se-á o tratamento digno que se merece, ir-se-á a um gabinete com ar condicionado, um quadro senior pronto a escutar e dar a chave do problema com a calma que o tempo de experiência lhe deu. Acelera-se o passo, pergunta-se, sem parar, onde fica a tal porta e galgam-se degraus dois a dois.


Mas a porta 4 está sempre fechada, e olhem que já lá fui meia dúzia de vezes! Será uma forma de nos mandar à merda, sem o dizer abertamente? 


A verdade é que mais ou menos difícil, com mais ou menos tempo, a coisa acaba por se resolver. Depois de tanto impasse, acreditem que ficamos aliviados, não esquecendo o percurso mas colocando essas memórias em stand by, até à próxima visita...

15 de fevereiro de 2015

Regresso à estrada

Ao fim de muito tempo, eis que regressei à estrada. E que regresso: quase 1400 km, feitos em dois dias. Quase como sair de Lisboa e ir fazer uma visita de trabalho a Paris! A dimensão das distâncias africanas tem outra escala...


Paragem técnica em Inhassoro, para pernoitar. Ao nascer do sol, começou a segunda etapa.


Travessia do rio Save. Funciona quase como uma fronteira dentro do mesmo país. Não é permitido transportar alguns bens por esta ponte. Pode parecer estranho, mas tem como fundamento a protecção de algumas doença. A mosca da fruta, que é mais comum no norte e que se tenta estancar a passagem para sul.


A mítica serra da Gorongosa. Não obstante do momento cinzento que traz na politica, também a meteorologia insiste em vincar esse ambiente.


...e dois dias depois chegamos ao destino: Caia, nas margens do rio Zambeze. Um rio imponente e que, com as chuvas, já alaga as margens e destrói machambas. Mas infelizmente já não é noticia, por ser rotina anual.


Aviso curto e incisivo aos banhistas, pescadores, passageiros, lavadeiras de roupa...


Criação de pombos.....para comer. Pode parecer chocante a um Lisboeta como eu, habituado a ver estas aves em plena cidade a comer todo o tipo de porcaria! Mas analisando de forma fria, esta produção não difere muito dos frangos ou patos. Basta perceber o ambiente onde são criados e o que comem é bem diferente dos esgotos urbanos...

Infelizmente não provei.


Extensões enormes de produção de arroz.


A nossa cozinha durante 3 dias. Tudo cozinhado na lenha: refeições completas, não esquecendo o pormenor do café.


Galinha comprada no mercado....viva. Morta na hora, depenada e cozinhada ao lume. Que mais se pode pedir? De certeza que não se encontraria disto nos menus parisienses, se a rota tivesse sido feita na Europa.


O estado das estradas (que tão bem já conheço) nem sempre ajudam o escoamento de produtos agrícolas... 


O estado das estradas, e os engarrafamentos que, embora tenham outro tipo de obstáculos, não é de desprezar a sua obstrução!


A instabilidade politica é outro factor que não tem ajudado a agricultura Moçambicana. Na estrada nacional ainda se vêem restos dos protestos do ano passado. Ficam ali carcaças à beira da estrada, que mantêm viva a tensão existente e o receio de que se volte a repetir.


Apesar disso há muita gente que continua a produzir. Visitamos uma serração onde se trabalha a madeira com afinco. No meio do mato encontram-se todas as condições para os artesãos locais fazerem mobília ou peças de decoração, que se irão vender nas grandes cidades e até mesmo exportado para outros países...




24 de janeiro de 2015

Refeições volantes

Sempre admirei capacidade de fazer negócio dos Africanos. Onde menos se espera há sempre o produto que precisamos à venda. Se chove, por exemplo, aparecem tantos guardas chuvas que nos faz pensar onde estiveram tanto tempo escondidos. A cultura da venda ambulante é uma cartada de marketing que tem vitória certa. Ao deambularmos pela cidade vamos encontrando sempre produtos que precisamos mas que, no momento, não estávamos a pensar neles. Óptimas oportunidades para comprar coisas nos semáforos, ou enquanto bebemos uma cerveja numa esplanada.

Maior parte das vendas é de coisas materiais, embora também haja muita fruta boa. A questão por resolver era o almoço, que só de fruta o Homem não se aguenta. A realidade à hora de almoço era:

       1.       Poucas opções de refeições razoáveis a bom preço;
       2.       Demora no serviço;
       3.       Trânsito da cidade que não deixa ir a casa comer.

Eis que têm vindo a surgir as refeições volantes. Panelas e pratos de plástico na bagageira dum carro nalgum ponto da cidade. Estão espalhados um pouco por todo o lado, garantindo que todos fazem negócio. Geralmente há opções de escolha, entre carne e peixe ou arroz e xima. Até saladas se encontra. É uma refeição digníssima por ~2,5 euros que conforta a meio do dia.

No sudeste asiático é tradição. A comida espreita a cada esquina e não se espera mais do que 15 minutos por uma refeição. Maputo parece seguir as pegadas, tendo agora sérias alternativas às bolachas, badjias ou amendoins, usados para enganar a fome...

A higiene poderá ser o ponto fraco, mas o esquema costuma ser de tentativa e erro, provando e ficando atento a mais diarreia, menos diarreia. Sem diarreia sabemos que é a escolha certa e passa a ser o nosso restaurante ambulante de preferência.

12 de janeiro de 2015

Yoga em Maputo

RECOMEÇA HOJE A YOGA DA YUMI...


Informações em: 
yumshantiyoga@gmail.com
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