21 de junho de 2015
13 de abril de 2015
Pemba!
É com estranho sentimento de regresso a casa que chego a Pemba. Desta vez fomos mostrar as belas praias à Bia...
É difícil esquecer o paraíso onde vivemos, e passo a explicar porquê.
Pemba é a única cidade que conheço com 3 frentes de mar. Se conhecerem outra....avisem....
À saída do avião somos sempre recebidos por um familiar bafo!
Água morna e sem ondas.
Calor permanente.
Nascer da lua dum lado...
Por do sol do outro...
Janta-se na praia,
Descansa-se numa rede entre dois coqueiros.
Improvisa-se o banho e todos parecem satisfeitos com isso.
Faz-se da água uma sala de convívio.
Dorme-se ao ar livre.
Navega-se entre mangais.
Iluminados pela fogueira. Iluminados pelo pôr do sol.
Visita-se o atelier da Ikuru, que trabalha com mestria a capolana.
Risadas deliciosas.
Contagia-se a Bia nos prazeres simples da vida.
Ainda ao redor da rede, um vendedor a trazer peixe fresco.
E para quem diz que Pemba é o fim do mundo, pois bem vindo sejas, fim do mundo! :)
2 de março de 2015
A porta 4
Numa instituição pública em
Maputo.
A fila faz-se em largura, à
medida do balcão, mas as pessoas para atender são escassas! De maneira que se
vai ganhando posição à força de cotovelos, para sermos atendidos por um(a)
funcionário(a). Mas ele(a) não parece estar muito sintonizado com o que dizemos,
evitando o contacto visual e distraindo-se facilmente. Preparamos o discurso
para ser objectivo mas ao fim de 3 palavras ele(a) tem que atender uma chamada,
ou é interrompido(a) por um(a) colega. O discurso longo não resulta! Opta-se
por um discurso mais curto, tipo telegrama, procurando sintetizar tudo o que se
quer dizer em palavras-chaves. A mensagem chega, mas a solução nem sempre...
Se o caso é rotineiro, não há
crise. O problema chega quando o caso foge um pouco da linha ou tem trâmites
diferentes do habitual. Tal como na rábula “Papel, qual papel” dos Gatos
Fedorentos, a dança do processo pode levar...dias, semanas! Prepara-se toda a
documentação que nos foi pedida…mas quando se entrega falta um papel, ou em vez
da cópia X, afinal é preciso o certificado Y. É comum, ao fim de algumas
tentativas, ouvir-se “Vá falar com fulano tal...”. Facto que traz nova bolha de
oxigénio e esperança de ver o caso resolvido, pois no balcão a coisa não anda. A
personalização do serviço obriga a ficar ligado a essa pessoa, tendo frequentemente
os seus contactos pessoais de telefone.
Muitas vezes não é fácil, seja
porque é um caso raro, seja pela demora que já leva, seja porque a pessoa que
assina está ausente, o que carimba não está ou o que entrega está reunido! São
justificações que já se conhecem e de certa maneira conforta pela normalidade.
Pior seria ouvir “isto não se pode resolver”, ou pelo contrário “isto vai-se
resolver num ápice, esteja descansado”. Aí seria logo de desconfiar e pensar
que não se é levado a sério! Estaria derrotado à partida. Quando se ouve “volte
amanhã”, por vezes é um alívio. Naquele dia as energias estavam mesmo a
esgotar-se e o voltar amanhã reconforta, pois no dia seguinte é que é.
Voltaremos frescos e com sorriso renovado, embora sustentado por uma fraca
crença. E no dia seguinte repete-se o mesmo: pessoa x, documento y, volte
amanhã…ou volte daí a 3 dias!
Nalgum momento tem que se
levantar a voz e mencionar as voltas dadas, tempo gasto e o processo que
continua por resolver! Embora seja diferente de pessoa para pessoa, há um
limite para todos…e acaba-se por atingi-lo! Eis que ao final de alguns dias se ouve:
“Vá à porta 4”. Renasce a esperança e “agora é que é!” volta a ser o pensamento
que nos assalta a cabeça com muito mais força. Acha-se que finalmente ter-se-á
o tratamento digno que se merece, ir-se-á a um gabinete com ar condicionado, um
quadro senior pronto a escutar e dar a chave do problema com a calma que o
tempo de experiência lhe deu. Acelera-se o passo, pergunta-se, sem parar, onde
fica a tal porta e galgam-se degraus dois a dois.
Mas a porta 4 está sempre
fechada, e olhem que já lá fui meia dúzia de vezes! Será uma forma de nos
mandar à merda, sem o dizer abertamente?
A verdade é que mais ou menos
difícil, com mais ou menos tempo, a coisa acaba por se resolver. Depois de
tanto impasse, acreditem que ficamos aliviados, não esquecendo o percurso mas
colocando essas memórias em stand by,
até à próxima visita...
15 de fevereiro de 2015
Regresso à estrada
Ao fim de muito tempo, eis que regressei à estrada. E que regresso: quase 1400 km, feitos em dois dias. Quase como sair de Lisboa e ir fazer uma visita de trabalho a Paris! A dimensão das distâncias africanas tem outra escala...
Paragem técnica em Inhassoro, para pernoitar. Ao nascer do sol, começou a segunda etapa.
Travessia do rio Save. Funciona quase como uma fronteira dentro do mesmo país. Não é permitido transportar alguns bens por esta ponte. Pode parecer estranho, mas tem como fundamento a protecção de algumas doença. A mosca da fruta, que é mais comum no norte e que se tenta estancar a passagem para sul.
A mítica serra da Gorongosa. Não obstante do momento cinzento que traz na politica, também a meteorologia insiste em vincar esse ambiente.
...e dois dias depois chegamos ao destino: Caia, nas margens do rio Zambeze. Um rio imponente e que, com as chuvas, já alaga as margens e destrói machambas. Mas infelizmente já não é noticia, por ser rotina anual.
Aviso curto e incisivo aos banhistas, pescadores, passageiros, lavadeiras de roupa...
Criação de pombos.....para comer. Pode parecer chocante a um Lisboeta como eu, habituado a ver estas aves em plena cidade a comer todo o tipo de porcaria! Mas analisando de forma fria, esta produção não difere muito dos frangos ou patos. Basta perceber o ambiente onde são criados e o que comem é bem diferente dos esgotos urbanos...
Infelizmente não provei.
Extensões enormes de produção de arroz.
A nossa cozinha durante 3 dias. Tudo cozinhado na lenha: refeições completas, não esquecendo o pormenor do café.
Galinha comprada no mercado....viva. Morta na hora, depenada e cozinhada ao lume. Que mais se pode pedir? De certeza que não se encontraria disto nos menus parisienses, se a rota tivesse sido feita na Europa.
O estado das estradas (que tão bem já conheço) nem sempre ajudam o escoamento de produtos agrícolas...
O estado das estradas, e os engarrafamentos que, embora tenham outro tipo de obstáculos, não é de desprezar a sua obstrução!
A instabilidade politica é outro factor que não tem ajudado a agricultura Moçambicana. Na estrada nacional ainda se vêem restos dos protestos do ano passado. Ficam ali carcaças à beira da estrada, que mantêm viva a tensão existente e o receio de que se volte a repetir.
Apesar disso há muita gente que continua a produzir. Visitamos uma serração onde se trabalha a madeira com afinco. No meio do mato encontram-se todas as condições para os artesãos locais fazerem mobília ou peças de decoração, que se irão vender nas grandes cidades e até mesmo exportado para outros países...
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