25 de dezembro de 2011
iFever
20 de dezembro de 2011
Primeiras impressoes Coreanas
5 de dezembro de 2011
9 de novembro de 2011
Água é vida
22 de outubro de 2011
Contágio musical
Apesar do burburinho em redor, o som começa a fazer-se sentir, contornando as orelhas e invadindo os tímpanos sem cerimónia. O corpo fica leve, com alguma dormência e não fico indiferente. O meu tronco assemelha-se ao de uma árvore jovem, baloiçando ao vento, mas sem deixar de ter a raiz fixa. Os ombros começam a fazer uma espécie de exercícios de aquecimento, rodando, lentos e alternados. O pezinho, esse famoso batuque, pauta já o ritmo e as mãos parecem querer tocar um instrumento que não sei tocar nem está presente. Reparo que, por instinto, as sobrancelhas parecem um equalizador, nervosamente sensíveis ao que ouço.
Endireito-me na cadeira, descolando as costas do encosto e lavo o assento com o rabo, esfregando-o com ritmo. Agora confio na resistência da cadeira para que aguente a agitação com que a sobrecarrego. O espaço de dança já começou a ter pessoas e sinto vontade de me juntar. As pernas saltitam como se o chão estivesse em brasa. Os pés já não pousam mais. Os lábios abrem e fecham numa linguagem inaudível, a linguagem dos maestros que assistem ao resultado da sua batuta, trauteando os ritmos em silêncio.
Salto da cadeira, não sei se empurrado pela coragem ou à procura dela, com os braços flectidos e agitados em jeito de corrida. Olhos fechados. Começo um jogo de ancas numa finta eterna das pernas, sem bola nem adversário. Nem a corrida me tira dali, nem a finta me dá algum golo. Semicerro os olhos com timidez, levantando, pelo mínimo, as pálpebras. Vejo em meu redor, mas através da cortina das pestanas. Os ombros agitam-se ao estilo de pugilista antes da competição, mas os braços desmancham qualquer agressividade, não saindo da zona da cintura. Às tantas são as ancas que me puxam para o lado esquerdo, desenhando um arco com o corpo. Os pés dão pequenos saltos para o mesmo lado, numa divertida fuga à presa invisível. O exercício repete-se para a direita, e para a esquerda... Solto um sorriso aberto, cheio de energia. Não estou ligado à corrente eléctrica. Melhor que isso, tenho baterias próprias todas bem carregadas. Murmuro o refrão dando força à dança. Não que pense em parar antes do fim da música, mas injecta-me nova energia para variar a coreografia, num bailado que já pouco tem de geométrico e se deixa ir...
Esta é uma das componentes da famosa magia de África, que muitos falam mas que poucos a sabem explicar completamente. Esta magia tem pregos que nos picotam o cu e nos atiraram para uma pista de dança, improvisada como não...
16 de outubro de 2011
BRAVO, Gonçalo!
- Mais de um ano a viajar em África;
- 50 mil quilómetros a bordo da Miss;
- Dezenas de fronteiras africanas.
13 de outubro de 2011
4 de outubro de 2011
Postais de Nairobi
O matatu (candongueiro em Angola, chapa em Moçambique) não é mais do que uma Toyota Hiace, originalmente de nove lugares, mas modificada para levar um pouco mais. Fiquei no entanto agradavelmente espantado quando percebi que a lotação era limitada a apenas 16 pessoas. Quando enche, fecham a porta (que até lá vai sempre aberta com o cobrador empoleirado a tentar angariar clientes) e seguem caminho até haver nova vaga deixada por alguém que sai.
“e se eu fosse pelo passeio?”
“se eu fizesse apenas meio quilómetro em contramão chegava num instante!”
“era só passar os vermelhos todos e estava resolvido…”
Pois eles fazem-no…só não voam!
A influência cultural em Nairobi sente-se bem e é bem-vinda! Gente de todas as cores e feitios concentram-se naquela cidade. E isso, digam o que disserem, é bom!
Podem-se experimentar vários sabores, de vários cantos do mundo. Realço dois:
À entrada temos uma fornalha, que faz lembrar as descrições do inferno, onde jazem diversos tipos de carne. O pecado, diriam os vegetarianos, uma delícia, digo eu, omnívoro.
O menu tem uma percentagem reduzida dedicada aos que não comem carne, no meio de outras tantas opções excêntricas em redor dos animais. Não me parece que a ala vegetariana frequente muito este local…
A carne vem para a mesa em modo contínuo e só quando dizemos basta é que eles param. Até aqui nada de diferente de um qualquer rodízio de carne, espalhado pelo mundo. A marca deste restaurante faz-se sentir quando começa a vir carne de camelo, crocodilo ou avestruz.
Restaurante polémico que esgrima com a lei a oportunidade de servir carne de caça. Contraditório, podem-me acusar depois de ter mostrado fotografias de Masai Mara, mas se as coisas forem feitas com conta peso e medida, todos estes cenários antípodas podem conviver na mesma mente.
Coreano: com a companhia certa, uma guia por excelência a estas incursões do paladar, deixei dar-me a conhecer aos sabores do longínquo Este asiático.
Nem toquei no menu! De repente tudo se desenrola à nossa frente: um empregado sorridente trazendo soju, avivando a brasa e trazendo vários pequenos pratos com coisas de várias cores. Para quem nunca experimentou, aqui fica o meu aviso: comida picante!
O mais interessante deste picante (sim, porque o picante não é todo igual e tem coisas interessantes) é que a pessoa não se apercebe de onde vem. Qual o pratinho que tem picante? Resposta: quase todos.
Mas a reacção ao picante vem uns minutos depois, quando já estamos concentrados noutro pratinho e, quando começamos a sentir o calor já comemos de 3 ou 4 pratinhos e já não sabemos qual o responsável. Verdade é que é tudo saudável e delicioso e como não se consegue parar, aceleramos a respiração, suamos e bebemos mais soju…
O artesanato é vasto, bonito e poderá ficar barato, se soubermos escolher o sítio e regatear. O mercado da cidade é para esquecer: preços começam no quadruplo do que deviam e a descida de preços é a conta gotas. Mas há vários mercados pela cidade onde vale a pena pousar os olhos…