23 de outubro de 2013

Festival de casamento

MELHOR SERIA IMPOSSÍVEL!

Um evento de 4 dias de festa já ganha a classificação de festival. Muita família e convívio....e eis alguns momentos.

Um passeio por Lisboa com as vestes tradicionais da Coreia. Neste momento devem haver centenas de réplicas destas fotos, pois ao lado do fotógrafo havia sempre muitos turistas...








Na quinta feira que antecedeu o casamento, começaram a chegar os primeiros campistas, montando tendas e usufruindo do espaço.


Na sexta feira continuavam a chegar campistas...


O convívio, esse, foi uma constante. Cada um trazia algo, enchia-se a mesa e todos comiam e bebiam. "Quando é mesmo o casamento?", alguém perguntava na brincadeira.....Já começou.....



A preparação dos noivos, descontraída e regada. Aqui começou o tal nó no estômago....ui...ui...





A cerimónia. Ambiente muito familiar e cenário lindo!





As poses....




...e a entrada “pimba” que levantou os convidados e os fez viajar num comboio em redor da sala!



Pais e sogros de um lado e outro, com suas vertentes artísticas. 


Sogro Coreano providenciou um momento mágico ao cantar, após o seu discurso...em coreano e com tradução em simultâneo.



As danças: a clássica...


...e a agitadora...


FESTA!




Para não ficar com sabor a pouco, organizou-se o "after party" no dia seguinte e a festa continuou à beira da piscina, à beira do churrasco de porco, à beira do convívio.





UM FESTIVAL A NÃO ESQUECER!!

7 de outubro de 2013

De Pemba a Maputo...


Há uma mudança em curso: da praia para a cidade!


Não sei se os locais são comparáveis e não se pretende extrair um vencedor. São diferentes e é isso que neste momento anima.


Em Pemba, durante 3 anos, não usei as palavras stress, engarrafamento e frio. Era uma pequena cidade de cerca de 150 mil habitantes, um ventre materno onde as pessoas todas se conhecem e o calor nunca desliga. A praia é uma constante e o acesso rápido às partes rurais, traz experiências únicas. O cenário de Pemba é simples: mar em três frentes, casas baixas e praias por todo o lado. O edifício mais alto tem 7 andares e é um marco, para referências de direções ou encontros.


Maputo é uma cidade já muito ocidentalizada. Terá perto de 2 milhões de pessoas e uma oferta comercial nunca dantes vista nem imaginável em Pemba. Tem momentos de trânsito de desafiar os nervos e mais atenção é exigida no capítulo da segurança... Tem mais acontecimentos culturais num dia do que num mês inteiro em Pemba!

Mudar-me deixou “algumuita” nostalgia, não nego. Ainda não estou radiante por vir para Maputo, mas de todo arrependido. Sinto-me como uma criança que acaba o infantário, onde era acarinhado, onde conhecia as pessoas, os espaços e as rotinas, e se lança para a escola primária. Esse mundo assustador, onde há várias turmas, com muitas caras desconhecidas, regras ainda por assimilar, batalhas e amizades por fazer porque, instintivamente, temos que ocupar o nosso lugar na hierarquia...

Neste momento, casado de fresco, de mãos dadas com a Yumi, o espirito é: “venha de lá essa nova aventura!!”

7 de julho de 2013

Experiência rodoviária


Talvez só agora tenha tido coragem de escrever esta história, ou talvez ela precisasse de amadurecer para ser contada. Era um objectivo meu: fazer Pemba – Maputo por estrada, de autocarro. Porque não? É preciso tempo, já sei, espirito de aventura, tudo, mas, como seria?

Na bilheteira, de notas meio dobradas, firmes na mão, parecendo coletores de dinheiro de apostas ilegais, respondem positivamente a todas as nossas questões de segurança. “Trocam de condutor?” – sim; “Dorme-se no caminho?” – sim; “Pára-se para comer?” – sim. Talvez devesse reformular as perguntas para o fintar, mas se calhar fiz as perguntas da forma como queria ouvir as respostas...


O autocarro tem lugares sentados, para todos. Sim, porque coloquei a hipótese de fazer uma longa jornada de pé, ou sentado na coxia em cima de alguns sacos. Nada disso, bancos individuais e cinto de segurança. O espaço para as pernas não era muito, mas se vinha naquela viagem para me queixar do conforto tinha apanhado um avião!

Arrancam num grupo de 4 para fazer face às exigências natalícias e buzinam uns para os outros. Parece que vamos em caravana, mas na realidade é uma disputa entre motoristas que se vão ultrapassando pelo caminho. Em cada manobra o alcatrão fica ainda mais fino e apenas uma reduzida percentagem de passageiros fica entusiasmada com as manobras, gritando e batendo palmas. Os outros 80% ficam em silêncio, engolindo em seco.

Aquilo que por fora parece um robusto autocarro, por dentro parece uma minhoca, serpenteando as estradas e saltitando nos buracos. Como sentamos no piso de cima (o de baixo é para bagagens) dá a ideia que a cada curva vamos tombar. Talvez a fraca suspensão, talvez apenas psicológico...mas bolas, como assusta!

Assim que começámos a rolar a sério em plena estrada nacional, percebi que tinha escolhido um péssimo lugar: a coxia. Inevitavelmente ia com os olhos presos na estrada e assustado com a velocidade com que um monstro daqueles se fazia às curvas. Dava por mim a travar com o pé a bater no chão ou a tentar virar, agarrado às pontas dos meus calções. Tinha que me distrair, pois a viagem é longa, iria durar pelo menos 24 horas! A minha alternativa era olhar para o lado, para a Yumi, que inexplicavelmente dormia...como se sobrevoássemos as nuvens, em vez de cavalgar buracos.


Pessoal com sérios lanches preparados. Frango, chamussas caseiras, cerveja. Nós levávamos bolachas que mal me passavam pela goela, tal era o nó que tinha. O tipo do meu lado era comerciante em Pemba. Ia visitar a família e voltava dentro de 4 dias. Na mesma estrada, com o mesmo autocarro. Gabo-lhe a coragem.

O autocarro vai à mesma velocidade, independentemente das condições do piso, de dia ou de noite. Quando chove a visibilidade reduz para níveis que não entendo. Suspeito que o motorista tem poderes adivinhos ou já conhece tão bem a estrada que nem sempre precisa de olhar para ela. Não é que o limpa para brisas não funcione, ele simplesmente não existe, fazendo acumular uma camada de insectos mortos e uma pasta opaca quando adicionada água!

Com o fim do dia começaram os planos de onde iríamos parar, pernoitar, pensei. A fazer cálculos às barreiras policiais, que proíbem a passagem de transportes públicos a partir de certa hora, a ideia era “pisar”...para conseguir passar mais cedo pelos “gajos” e conduzir mais umas horas. A sério? O condutor tinha os olhos vermelhos, bem cansados, mas era o primeiro a incentivar a estratégia de velocidade.

É bonito viajar por Moçambique relativamente devagar. Pelo menos por terra. À medida que descemos o desenvolvimento sobe. Palhotas tradicionais passam a casa sólidas, pontes precárias para robustas. A paisagem tem um pouco de tudo: os inselbergs em Nampula, coqueiros e arrozais na Zambézia, campos cultivados em Sofala, a imensidão de coqueiros em Inhambane, casas e agitação logo em Gaza.


Com o aproximar da meia-noite o autocarro abranda e estamos agora a entrar numa vila qualquer, com alguns candeeiros na rua. Inchope, o grande cruzamento das estradas em Moçambique. Quando nós saímos do autocarro já várias pessoas descansam os ossos numa vala, à beira da estrada. Sem perceber se é avaria ou paragem, o condutor diz: “saímos daqui a três horas”. Uau...avizinha-se uma noite de descanso...de 3 horas! Dá que pensar se queremos reentrar no autocarro ou não, mas não há muitas condições para pensar: a noite de sono é curta e o cansaço vence-nos facilmente.

A buzina do autocarro (inconfundível e difícil de esquecer) arranca-nos do sono e como múmias voltamos para dentro daquela máquina infernal, sem pensar, apenas com o destino na mente.

No segundo dia continua o mesmo motorista, que no dia anterior conduziu mais de 900Km. Obviamente que, com o sol rasante de frente e extensões das rectas a aumentar, a sonolência aparece. Não há heróis. O motorista começa a coçar com maior frequência os olhos, a cabecear e sente-se que o volante dança mais do que devia para um troço que é sempre a direito! Alguns passageiros, a aperceberem-se disso, ofereceram bebidas e conversa ao motorista, sentando-se ao seu lado e largando gargalhadas suficientes para entrar nos tímpanos e agitar o cérebro...

Quando saí do autocarro em Maxixe renasci. Não acredito em Deus, mas se acreditasse, neste caso diria que Ele estava a olhar por nós naquela viagem.

Era um objetivo  e cumpri. Aventura feita, que escreverei no meu diário. A não repetir...


19 de junho de 2013

Festa despedida/noivado

Queríamos fazer uma festa em Pemba uma vez que estamos a ir embora do paraíso (após três anos) e ao mesmo tempo, parte da positiva história neste período, ficámos noivos. Assim, nada melhor do que juntar, fazer uma festa com todas as pessoas que fomos conhecendo aqui e que fazem parte destes três anos e farão parte dos próximos...

O nome da festa "despedida/noivado" tira peso à despedida e entusiasma pelo noivado. Cerca de 80 pessoas, 4 tipos de carne e mais de 5 horas de churrasco. Muita dança e um bar incansável!

OBRIGADO A TODOS....ADORÁMOS!!


Carne fresca, ainda viva...



 A autora da Matapa...um sucesso...



Salada industrial




O artesão do casaco de pele de cabrito



Ready...go....



Cenário
























8 de maio de 2013

Zoo marinho

Noutro dia fomos mergulhar e o instrutor disse-me “toma lá uma câmara...tira as fotos que quiseres!

Mergulhar tem uma variedade de coisas curiosas. Uma delas, que destaco, é que em 90% dos mergulhos (dos poucos que fiz) sempre se descobre alguma coisa nova. E isto, claro está, mergulhando mais ou menos no mesmo local.



Estrelas de várias cores



Peixe leão, dançando com as suas vestes ao sabor da maré



Uma raia...que mal se distingue do fundo e que ia a fugir muito rápido, mas ficou na foto!



Embora as cores se vão perdendo com a profundidade dá para nos maravilharmos com os corais...



Um dos que eu desconhecia. Um camarão martelo (assim lhe chamou o instrutor). Nome que se dá porque aplica uma forte pancada com as pinças. Força o suficiente para quebrar a lente duma câmara...



Este também não conhecia e não quero ver muitas vezes. Quando o instrutor a viu apontou e fez sinal de cuidado... Quando subimos à tona disse-me que aquela cobra, inofensivamente parecida com uma uma linda zebra, é a cobra mais venenosa do mundo. O seu veneno é suficiente para matar centenas de pessoas...mas é dócil, dizem os especialistas...




Aqui pude testemunhar a verdadeira levitação diante dos meus olhos. Yumi em exercício de Yoga subaquática. 






Para cima que o ar está-se a acabar



...e a foto da praxe, num sempre fotogénico momento do mergulhador, embrulhado em equipamento, quando sai da água...