Finalmente iniciei os trabalhos de campo! Muitos de vocês perguntam: “mas este gajo afinal trabalha?”. É verdade. Apesar da Tertúlia não o transparecer, trabalho. Vim para Moçambique em Fevereiro de 2010 inserido num projecto de cadastro de terras. Algumas das tarefas são: medir terrenos, averiguar a legalidade dos terrenos, averiguar acessos, fazer levantamento de conflitos, produção de mapas, dar formação, etc…
E alguns de vocês questionam-se: “mas este malandro está lá há quase um ano e só agora é que sai do gabinete!?”. E têm toda a razão em perguntar, mas eu não tenho resposta nem capacidade para explicar. Comecei agora. PRONTO. Partamos daqui.

O trabalho de campo implica:
- Apesar de beber litros de água, praticamente não urinar, tal é a transpiração;
- Preparar bem a roupa para enfrentar o tórrido sol africano;
- Passar 6 a 7 horas sem comer;
- Caminhar quilómetros em pleno mato abrindo, por vezes, caminho à catanada;
- Apanhar escaldões onde a roupa permite a ousadia do sol;
- Ter conversas em dialecto, com tradutor…
Muita gente se queixa:
- Das moscas;
- Dos arranhões das plantas;
- Das bolhas dos pés;
- Da poeira;
- Dos raios solares mordazes;
- Do calor;
- Do cansaço…

E há quem não se queixe. Pés descalços, imunes à temperatura do solo ou às muitas adversidades que as pedras e picos oferecem, muitas vezes a abrir o caminho. Solas calejadas formam o sapato mais natural que pode existir…