6 de maio de 2016

Hora da decisão


Este post serve para reflectir sobre duas formas de fazer cocó. Esse gesto diário, incontornável e necessário a todos. Não pelo cocó em si, como imaginam, mas pela forma…

Apresento duas formas distintas de aliviar as nossas necessidades maiores.


O buraco da latrina. Ainda muito comum no Moçambique real, e em tantos outros locais do mundo. A latrina oferece nada mais que um caminho para um depósito de dejectos. Podem ter água ou serem secas, mas raramente são confortáveis. Resolve o que tem a resolver, mas deve muito à ergonomia e por vezes o incómodo de insectos é perturbador. A higiene é básica mas garantida.


Já outro exemplo é uma sanita com telecomando. Este tipo de sanita tem estado muito associado a países super desenvolvidos, tendo sido este exemplo fotografado na Coreia do Sul. Sanita cujas características abrangem também as funções de bidé. Com o telecomando controla-se todo o mecanismo: i) aquece o aro onde se senta; ii) aciona-se o autoclismo; iii) liga-se a água do bidé em esguicho; iv) activa-se a ventoinha para secar o rabiosque. O conforto é evidente. Já que estamos na onda da excentricidade, eu acho que falta um sistema de som e apoio para jornal/revista para entreter durante o momento. Talvez num próximo modelo…

Muito bem. Penso que os nossos olhos já escolheram. Agora vejamos na perspectiva de impacto ambiental e recurso a energia, assunto tão em voga e onde todos estamos envolvidos, para o bem e para o mal! Imaginam a quantidade de energia necessária para executar todas as funções da sanita do telecomando? Electricidade, muita água e…telecomando!

                                                  Daqui

A latrina é um buraco. Pode ser embelezado com cosmética mobiliária para dar a ilusão de que é uma sanita. E é! A energia necessária é quase nula. Algumas nem usam água e ter as estrelas como candeeiro é sempre uma boa experiência. Aquilo que chamamos de porcaria pode ser reaproveitado para a natureza.


É engraçado como aquilo que nos arregala ao olhos é o que mais brilha e nem sempre o mais adequado.

É engraçado como aquilo a que estamos habituados nem sempre contribui para a saúde do ambiente. Basta mudar alguns hábitos e multiplicado por milhões faríamos a diferença nessa tal sustentabilidade, que tanto se fala.

3 comentários:

Kkul disse...

One day we sleep in the toilet...:P

Joana disse...

...eu nem consegui pôr a funcionar as 1001 opções da modernidade sanitária!!

Osvaldo Mostiço disse...

Sem dúvidas que vence a latrina, o meio mais natural e amigo do ambiente. Hoje em dia com os tanques de compostagem por baixo, para além do adubo é possível produzir o biogás, de maneira criamos e não gastamos as fontes de energia.