17 de fevereiro de 2013

Magia Artesanal

Queria porque queria ter uma recordação da madeira e dos artesãos locais. Cabo Delgado tem artesãos de mão cheia. A grande maioria de origem maconde, trabalham a madeira com artes mágicas.

Contactei vários artesãos e falei com uns quantos. Numa espécie de entrevista, com a madeira em bruto ao centro, analisava conversa, ideias, atitude, sinceridade nos olhos e claro, orçamento!

A decisão pendeu para o mestre Paulo. Não o mais barato mas aquele a quem os olhos brilharam ao ver a madeira e o nosso desenho, dando o mote para o que queríamos. O mestre Paulo diz que não tem estudos...que não conseguiu ir à escola. Mas eu acho que ele tem algo tão ou mais valioso: a arte de trabalhar madeira!!



Carregar um tronco maciço de pau-preto implicou 3 homens e até uma abertura improvisada da vedação para encurtar caminho.



Um leigo que olhe para um tronco em bruto não vê nada. Eu não vejo. Só vejo madeira e muitas rachas. Mas o mestre Paulo, neste momento, estou certo, já tirava medidas e borbulhava de ideias!




Várias ferramentas e todo o tipo de cosmética para trabalhar a madeira. O nível de toque vai desde o machado, espátula, várias lixas até, por fim, o pano que faz a limpeza final.











A primeira figura do homem...





...e a mulher, deitada, em estado bruto (à direita na imagem).



Uma coleção de antes, durante e depois...

 



 



E o resultado final: FANTÁSTICO!!


27 de janeiro de 2013

Postais de África do Sul


Os postais começam na cidade de Cape Town, pois Joanesburgo fez jus ao seu nome e, de puxão, levaram a câmara com as fotos até ao momento! Sem back up feito...ficam guardadas na memória!

Para trás ficou uma alucinante viagem de autocarro Moçambique abaixo e uma maravilhosa semana na praia do Tofo dedicada ao mergulho...


A assinatura da cidade de Cape Town: table mountain e uma zona portuária lindíssima. Cheia de turistas nesta altura, mas nem com isso perde a beleza!



A nossa primeira sede era de beber civilização...


...comer deliciosos nacos de carne...(coitados de nós só temos peixe fresco, camarão, polvo, lulas...)



...aproveitar concertos e fins de tarde culturais...


...fazer algumas compras e ir ao cinema! É assim, são os problemas de quem vive o ano todo na praia! Não há paraísos...



O teleférico para a montanha é assustador para quem, como eu, sofre de vertigens! À chegada ao cume, numa trajectória quase vertical, parece que vamos esbarrar contra as rochas, tal é a proximidade destas...


A vista de 360º compensa! Aqui temos Cape Town aos pés....


Long Street...uma forte opção para a noite!


Cape Town está num canto, é certo, mas a sua localização é das melhores que já vi! Mar, floresta e montanha...tudo perto...tudo bonito! Aqui um passeio nos jardins botânicos no último dia do ano...


...com picnic às costas!


Se o conceito de picnic fosse profissional, os sul africanos estavam com enorme vantagem! É que não brincam...trazem tudo naquelas cestas que se desdobram várias vezes, guardam recantos e transformam-se em mesas! Famílias, casais de vários tipos, grupo de amigos, tudo instalado para ouvir a música. À partida estranhei tudo estar sentado, mas em breve isso iria resolver-se!




O cenário estava montado!


Primeira banda (desconhecida para nós) e que bela surpresa: Hot Water!


 ....e zzzááássss....tudo de pé a mexer!


Segunda banda com o mestre Hugh Masekela e um leque de músicos para lá de bons! O cota tem 74 anos e uma pedalada invejável... 


 Passeio a Cape Point...


...com focas...


...pinguins...


...sinais portugueses! Chamem-me patriota, nostálgico ou saudosista...o que quiserem, mas foi com enorme orgulho que cheguei ao cabo da boa esperança e vi marcas dos portugueses que por ali passaram e em tanto contribuíram para que o cabo ficasse escrito na história!


A minutos da surpresa que a Yumi nem sonhava...


O pedido de casamento no cabo da boa esperança! Ela disse que sim...ao fim de uns minutos em que não sei se estava com asma ou se se tinha engasgado com algo!! 


 Um local histórico e mítico que agora faz parte das nossas vidas!


E claro...uma fotografia com o Adamastor...olhem para ele ali do lado direito da foto! Ainda em grande forma...


A última parte das férias foram então dedicados à natureza, começando com o que de melhor ela pode dar...vinho!


Costumo dizer que ainda bem que África do Sul está longe de Portugal. Porque eles têm uma variedade enorme de bons vinhos e a concorrência poderia ser feroz! Assim, a uns milhares de quilómetros de distância, a coisa vai-se aguentando!


Esta nossa amiga é mesmo fotogénica, não é?



E que tal andar a cavalo numa avestruz? Muito confortável, depois de ultrapassado o receio de ela só ter duas patas e termos que agarrar (com força) nas asas dela...




Yoga itinerante...



Cango Caves: uma das mais bonitas grutas que já vi...


Estrada de montanha em pleno parque Swartberg, património mundial! Mais uma obra de arte da engenharia!




Tentamos aprender com os sul africanos e arriscamos algumas refeições integralmente feitas ao lume! Não passámos fome...


 hhhmmmmm...



Mais história e mais marcas portuguesas! Desta vez uma visita à réplica do barco de Bartolomeu Dias que dobrou o cabo das tormentas pela primeira vez. Esta réplica, à semelhança do original  também navegou de Portugal a Mosel Bay na comemoração dos 500 anos dos descobrimentos.


O farol mais a sul de África!


O ponto mais a sul de África, o cabo das Agulhas, onde oficialmente se encontram dois oceanos...um de águas quentes outro de águas frias...


Mantas quase domesticadas...


...a serem alimentadas à mão!

 

...e que belas caminhadas!

  



9 de dezembro de 2012

Pemba a Cape Town

Em linha recta são cerca de 3200 Km. Mas o plano da viagem é não ter plano, por isso faremos os desvios necessários.


Mochila de pano e tenda às costas, walkman no bolso, rolos fotográficos suficientes, algum dinheiro e só ficam as botas de cabedal de fora porque se espera grande calor. Levamos os chinelos e o fato de banho...

FÉRIAS!!


1 de dezembro de 2012

Uma noite com um mosquito





Quem nunca passou uma noite com um mosquito? Quem nunca perdeu a compostura e o sono com a invasão destes insetos? Peritos em ataques noturnos, são capazes de tudo para obter a sua refeição sanguínea, à nossa custa!

Dou pela sua chegada num voo rasante no meu ouvido e um zumbido vindo dos seus motores. Os olhos abrem-se e fico hirto, em alerta. Nova passagem a desafiar a base e desaparece depois. Quero acreditar que é passageiro e tento voltar ao sono, mas desta vez o pequeno atacante faz-se perceber que vem para dar luta.

Decido sempre por não acender a luz. Não por achar que será inútil ou que pode mostrar fraqueza ao adversário. É por saber que as probabilidades de o ver e conseguir matá-lo não aumentam de luz acesa. O gajo esconde-se e fica imóvel. Nem olha para mim, ofuscado que está. Quando se apaga a lâmpada e deixa de se interessar pelo clarão, começa a perseguir o calor. Eu.

Quando descansam na testa pensamos que já está: uma pancada, um pouco de sangue na pele, mas a compensação! Qual quê. Com as ânsias apercebemo-nos que quando a mão chega à cabeça já abanámos demasiado o corpo e o mosquito levantou voo. Ou nos apercebemos a tempo ou levamos uma belinha. De olhos fechados para aguçar a audição preparo duas armadilhas, duas conchas de mãos prontas a serem largadas assim que os sensores ouvirem o zumbido. Arrisco umas quantas estaladas a mim próprio, é certo, mas é o preço da batalha que envergo.

Não é por ser pequeno, cerca de 140 vezes mais pequeno que um ser humano, que o devo desprezar. Sabe dar grandes dentadas e, em silêncio, preparar o próximo ataque. Deixa-me à sua mercê, na escuridão. Vai percorrendo o meu corpo e escolhendo o local da próxima dentada. Quando sinto a picada e localizo a baba já o atacante terá levantado voo, saciado. Resta-me coçar a dor. Sei que não devo, mas no momento parece aliviar-me. O mosquito agradece. O movimento provoca calor e a comichão atiça a circulação. Lá vêm mais dentadas! Às vezes penso porque não se lhes enchem os estômagos? Não têm limite para esticar a bolsa? Serão afinal dois ou três?

Se tenho à disposição recorro às armas químicas sem rodeios. Opto primeiro pelo repelente. Besunto-me ou sprayo-me com o que tiver. Dão-me uma boa proteção e agora só ouço o adversário a uns seguros 2 metros. Mantém-no vivo e o gajo não se aproxima por uns tempos, numa espécie de cessar-fogo. O problema é o que produto tem duração limitada e assim que os efeitos aromáticos esmorecem, o mosquito inicia novas investidas de volta ao combate. Recorro então ao plano B. Uso baygon (marca que criou o vocabulário) fora do tempo mas justificado pela necessidade da luta. Devia ter posto durante a tarde e agora surge como solução de recurso. Serve como gaz asfixiante e a maioria dos mosquitos verga à sua respiração. Uns morrem outros conseguem fugir. Para mim arranha a respiração e o cheiro é fortíssimo, mas compensa pela busca da vitória. É como um soldado que lança uma granada dentro dum túnel onde o adversário está encurralado...

A glória chega quando uma pancada, às escuras, atinge o cabrão e o faz emitir os últimos sons, em voo picado. Às vezes padece, imóvel, no meu braço e faço questão de lhe dar um piparote com a ponta dos dedos na direção da parede mais próxima. Ajeito a almofada, sorrio e volto ao meu precioso sono.


É por isso que com a rede mosquiteira sinto uma proteção imperial. Imagino-me sultão, a comer uvas e beber uma taça de vinho. Por mais chato que o mosquito seja, não entra! Até posso ouvi-lo do lado de fora, mas soa-me a música...