
Nesta quadra natalícia a vinda a Portugal acarreta uma mudança brusca dos hábitos diários. Em primeiro lugar há a mudança repentina de estação do ano. Directamente do verão, vem-se parar ao Inverno rigoroso…um Inverno gélido. Com 20 graus de diferença tem que se ir mesmo ao fundo do baú e buscar aquelas coisas inúteis em Luanda: casacos, cachecóis, gorros, meias grossas. Não estou a exagerar meus amigos…posso dizer-vos que sofri nos 2 primeiros dias. Cheguei mesmo a pensar que o “todo-poderoso” estava a ser, sem razão aparente, demasiado severo para com as gentes de Portugal. Só depois percebi que era normal…era Inverno.
Depois houve o impacto de rotinas. Mesmo sendo o Natal um acontecimento quase mundial, a azafama que aqui encontrei foi demasiada! Andavam pessoas nas lojas tipo formiguinhas trabalhadoras a fazer compras de Natal. Seguindo várias estratégias, comprando atempadamente ou na manhã do dia 24, havia sempre enchentes de lojas e centros comerciais. Não fui imediatamente “mordido” por este sindroma. Chegado de uma cidade que tem UM centro comercial senti-me em pânico de fazer um roteiro deles aqui na cidade. Usando a máxima de que o Natal é quando o Homem quiser, fiz as minhas comprinhas, calmamente nos dias a seguir ao 25. O que conta é a intenção…
Para culminar estas mudanças…ia atropelando uma pessoa nos primeiros dias de condução em Lisboa. Chegado de uma cidade onde o peão é a última coisa a ter prioridade nas estradas, não me dei bem com os estranhos hábitos que aqui se têm! Não é que com a mania de direitos humanos, responsabilidades civis, valor moral do cidadão e o caraças, esta malta atira-se para a estrada convencidos de que o carro vai parar? Numa passadeira sem semáforo, o peão achou-se no direito de atravessar a estrada quando bem lhe apeteceu…sem esperar que o carro lhe desse autorização visível!!! Onde já se viu? Amiguinho peão…dou-te um conselho: se fores a Luanda tem calma a atravessar a estrada e olha para todos os lados, mesmo os que não são óbvios!!