2 de julho de 2012

Mistério musical*


Há para mim vários mistérios na vida. Uns tento resolver, outros não. Preservo-os assim mesmo, misteriosos, sem solução. Dá-me gozo que assim seja, abstraindo-me da problemática de os entender e fugir à solução. É parecido à satisfação que se tem quando se veem as marionetas a mexer e se ignoram os fios...
Um desses mistérios é a música. Como aparecem as notas musicais, o porquê das oitavas? O que motiva um compositor a escolher dó-lá e não dó-mi? Mas apesar disso admito que cada nota debita vibrações diferentes.

A minha incapacidade para a música revelou-se desde cedo, desde os meus tenros 4 anos. Numa festa natalícia que o infantário apresentava para os pais desafinem tanto, entrei tão mal na música que fui presenteado com uma alcunha que ainda hoje perdura...

Na escola secundária fugi às aulas de religião e moral e optei pela música. Tinha o sonho de ser bafejado por Apolo, o Deus da música. Depois, na verdade, chumbava nos testes onde os outros alunos discutiam décimas do 18 para cima. Nas aulas práticas fazia um playback descarado com uma simples flauta de bisel na mão. Enchia as bochechas de ar e não me atrevia a soprar para não estragar a banda escolar que contava com bateria, flauta transversal e órgão. Deitava um olho ao meu colega do lado, igualmente com flauta de bisel, e imitava os dedos. Acrescentava um saltitar de sobrancelhas e uma inclinação esporádica da cabeça e aí estava eu, convencido de que passava despercebido. Saía das aulas contente e, confesso, com satisfação rebelde por estar a enganar o professor. Hoje sei-o, é óbvio, que o meu professor me topou desde o primeiro dedilhar em playback. Mas assim como eu não queria propriamente tocar ele também não queria propriamente ouvir-me. Assim, passados os anos, percebo que havia uma cumplicidade a meu favor e que o professor percebeu muito antes de mim, que eu não era talhado para a música. Simpaticamente fez-me passar nos testes para que eu não chumbasse numa cadeira facultativa!

Não sou moldado para produzir música, mas gosto muito de dançar ao som dela e nesse capítulo deixo-me levar pela sua magia. Ora vejam o mágico efeito da música nestas crianças que não devem ter mais do que 4 anos.

Atenção ao menino de camisola laranja e a menina de saia amarela e...quase sem t-shirt...



VIDEO: Yumi Choi


*para a animar a semana da minha amiga Cláudia Marques Pires...

4 comentários:

macaca grava-por-cima disse...

:-) deixaste-me sem palavras meu querido... eu sei que tenho os melhores amigos do mundo e que estou rodeada (por perto e por menos perto) de pessoas que fazem o meu coração transbordar de amizade, daquela mesmo boa e genuína.

Um beijinho muito grande (e afinal a operação vai ser só no dia 10)

macaca grava-por-cima disse...

se eu depois da operação me mexer assim como estas crianças é pq estou curada!!! (a bem dizer, seria um milagre eu alguma vez dançar assim :-D)

Joana disse...

que belo par de dançarinos.

Inês Pinheiro disse...

E se tu não tens o dom da música eu não tenho o da dança.
É incrível como aqueles corpos já se mexem ao ritmo da música.