14 de janeiro de 2011

Postais do Ibo


A ilha do Ibo faz parte do arquipélago das Quirimbas e está inserida, até ao tutano, no Parque Nacional das Quirimbas. O acesso faz-se com recurso a um complexo esquema de barcos, públicos, emprestados ou alugados. Facto que, a meu ver, só faz dela um local especial. No caminho há basicamente 2 cores, mas longe de o fazer monótono: azul do céu e do mar; verde do mangal. Os diferentes tons de cada cor fazem o resto, oferecem-nos um cenário paradisíaco. Escolhi passar aqui o Natal este ano.


A viagem é daquelas que nos transporta além do físico…leva-nos a outro tempo, uma experiência. À chegada sente-se isso quando nos cruzamos com um dau (embarcação típica desta zona, com todo o conjunto de propulsão eólica bastante artesanal).


A chegada assusta (não sei se estavam à espera deste início, mas é assim mesmo). Casas em ruínas, ruas poeirentas ornamentadas com lixo e postes de electricidade apenas para enfeitar! Por momentos, talvez em reacção ao primeiro impacto, pensei que o capitão do barco se enganou na ilha. Alguém nos diz: “bem-vindos ao Ibo”. Porra, é aqui mesmo…

Parece que acabou a guerra há dez minutos e limparam as ruas à pressa para receber os primeiros turistas. A maioria das casas está em ruínas, a cair e sem telhado. Mas a minoria, que ainda resiste, recebe-nos bem: sorriso e conforto. Não há electricidade pública na ilha. As pessoas têm que gerir geradores ou energias limpas para viver. Estranhamos e depois entranhamos. Viver sem luz pública de todo é um desafio. Já alguma vez pensaram comparar uma pedra de gelo a uma pepita de ouro? Eu já, no Ibo.

Foto: Yumi



Era véspera de Natal e os nossos amigos (Alexandre e Rita, de quem já vou falar) tinham-nos preparado uma recepção de grande classe. O Alexandre estava atarefado em despachar os 10 kilos de caranguejo para a panela e a Rita fazia um arroz doce à “moda da sogra”. A ceia do Natal foi então iniciada com doses massivas de crustáceos, que eu comi, quase sem respirar, como se não houvesse o dia de amanhã, o Natal propriamente dito.

O Alexandre e a Rita são um casal que conheci em Pemba, por intermédio do Gonçalo que conheci em Maputo e estava a viajar. Não tem nada a ver para o que vou dizer a seguir, mas não deixa de ser engraçado. Eles despediram-se dos empregos em Portugal, reuniram as poupanças, arrumaram as trouxas e tentam agora fazer um negócio. Bem se sabe que das cinzas renasce a esperança e nas ruínas do Ibo há-de renascer o sonho deste casal. Boa sorte!

No dia de Natal, passeio de barco.


Foto: Yumi



Foto: Yumi


No dia seguinte, caminhada a pé e mergulho…com peixes grandes, tartaruga e…um tubarão!

Foto: Yumi




Foto: Yumi

No Ibo, conjuga-se, por demasiadas vezes, o passado dos verbos: “ali foi; aqui aconteceu; costumava ser; etc…”. Deixa alguma nostalgia e as mentes mais pessimistas terão dificuldade em ver as ruínas erguerem-se algum dia. No entanto o governo Moçambicano está a lançar várias iniciativas para dar novo fôlego à ilha. A natureza envolvente fala por si, não precisa de apresentações. E há muita gente que acredita e inclui o Ibo na rota dos seus sonhos.

Foto: Yumi


10 comentários:

Isa disse...

Olá André,
cheguei ontem de umas férias de 20 dias na Bahia e ainda não me atualizei nos teus posts. Tou ciriosíssima mas antes de tudo quero desejar-te um excelente 2011 e que tudo continue a correr bem.
Bjo gd,

Joana disse...

epá...o paraíso afinal existe.

é impressionante o cenário fantasmagórico!!

Anónimo disse...

Como tu observas e relatas bem as coisas!!! Já estivemos no IBO e a tua descrição é do melhor que já li.
Muitas bjocas
lena

EK disse...

Este País tem uma beleza fantástica carregada de história. Ainda há pouco tempo estive em Sofala a visitar um santuário que julga-se ter cerca de... 800 anos! Infelizmente não consigo descrever para além de fantástico!

4 disse...

Sim senhor, continuas a relatar a experiencia africana como poucos.

No entanto, nessa zona paradisiaca e quase virgem, com tanto espaço para a evangelização, e porque duma altura santa se trata - bela ceia de natal - fiquei com uma dúvida. Onde está a bandeira do DT??

Abraço

Rita disse...

ola andre,
mais uma vez te digo que a Yumi e tu serao sempre bem vindos a nossa casa e de novo no IBO! bjs do malawi
Rita e Xano

Anónimo disse...

Olá Andre´,
Que bem me fez ler o blog. Eu também adorei a inocência da ilha de IBO...que saudades!!!!
AP

ginarsenio disse...

Ola Andre!
Caso para dizer: "Abencoada Africa!"
bjs, bom ano pra ti e sucessos no trabalho

Isa disse...

Grande Natal :) com certeza mereces.
Bjo

Pepe disse...

Boas, André se permites que te trate pelo nome proprio. Numa pesquisa por algumas fotos de moçambique, e confesso também com a esperança de matar algumas saudades, encontrei o teu Blog, que acho que esta muito fixe. Eu vivi em Maputo 1 ano e meio quase, tenho familia e á natural que volte em breve. No teu blog só mostras coisas fantásticas de Moçambique, altas fotos, grandes momentos, aproveita não deixas nada por ver, e parabéns pelo Blog, continua a escrever a a colocar fotos, que eu tenho a intenção de continuar a ler. :)

Obrigado

José Sousa