3 de setembro de 2009

Maputo a Chimoio

Missão: deslocação, via terrestre, de Maputo a Chimoio

Logística: 2 pick-up’s

Tripulação: 4 adultos e 3 crianças (3, 2 e 1 ano)

Distância: cerca de 1200Km

Paragens: flexível

Duração: flexível

Se há coisa que me entusiasma em África, no geral, são as grandes viagens, por terra, claro! Que eu cá sou pessoa para concordar com o Miguel Cadilhe, que diz “voar não é viajar”. E a estrela da sorte que me tem acompanhado desenhou, para a minha última semana de férias em Moçambique, uma bela viagem ao centro do país. Quiseram as circunstâncias que, nessa precisa semana as minhas primas viajassem até Chimoio, onde uma delas mora… Eu, claro, colei-me à aventura e alinhei na viagem!

A estrada nacional está em bom estado. Eu diria nota 7 em 10. O problema é ser A estrada nacional que liga Maputo ao norte e ter apenas UMA faixa para cada lado. Uma estrada onde passam carros, camiões, pessoas a pé, etc…fica demasiado pequena!

A viagem total comporta a passagem por 5 diferentes províncias de Maputo. E é na província de Inhambane que a paisagem se torna de facto diferente. Um mar de palmeiras faz a fronteira natural desta província, bonita pelo verde da vegetação, pelo vermelho da terra e pelo azul do mar.


Depois das praias de Maputo que, como referi, não são grande coisa, as praias de Inhambane já nos começam a fazer sonhar. Água limpíssima, azul ao longe, transparente ao perto, morna e areia branca. Árvores ao longo do areal…e está montado o cenário paradisíaco! Carcaças de outros tempos, contam-nos histórias de lazer neste local, agora deixado na brisa do acaso e na calmaria da época baixa.


Foi precisamente nesta província que decidimos pernoitar, por duas vezes.

Na primeira, o local escolhido foi a baía de Závora. Por cerca de 20 euros/noite (preço de época baixa!) temos direito a uma casa, com cozinha, à beira mar. A vista da sala é o mar, e no terraço a humidade marítima e o som das embebeda-nos de relax!

O relax é interrompido, com o entusiasmo de, ao fim de 5 minutos a olhar para o mar, avistarmos baleias e golfinhos. “Estão de passagem”, digo eu. Não. Moram ali. Vimo-las à tarde, ao entardecer e na manhã seguinte. Só a limitação técnica da máquina não me permite mostrar-vos melhor foto! Mas reparem na foto de baixo, quase no horizonte, ligeiramente à esquerda, o repuxo…é uma baleia, acreditem!


E se em África tudo é possível, aqui fica mais uma imagem que confirma a regra. Na praia de Vilanculos, com o arquipélago de Bazaruto à vista, um camelo! Com a tecnologia necessária incorporada, passeia turistas no dorso, praia fora.

A paisagem, sem grandes delongas, é deliciosa. Azul, praia e paraíso à vista. A maré, como em qualquer parte do mundo, sobe e desce…e esta, quando desce, deixa os barcos em Terra. Há que ter em atenção quando é que se quer pegar no barco porque, ou têm rodas, ou tem cerveja fresca, para esperar que a maré suba!

A segunda noite foi passada, ainda na província de Inhambane, mas a cerca de 450Km a norte, em Inhassoro. Aqui as palavras de elogio e espanto repetem-se. Para não vos enjoar, falo dum aspecto negativo. É que esta relvinha que tão bem fica ao olho do turista, atrai mosquito que não tem fim. Ao final da tarde concentram-se dentro de casa, exploram tudo e atacam em força. Da nossa parte, accionámos os dispositivos de protecção, baixando as redes mosquiteiras das camas e os dispositivos de ofensiva, fazendo um ataque aéreo com RAID…


A partir de Inhassoro, a viagem rumou ao interior do país, com longas e solitárias paisagens. Na estrada, rectas a perder de vista, vegetação até ao horizonte. Rios, com o seu caudal reduzido, pois este é o fim da época seca, guardam histórias que, recentemente têm sido sangrentas. Há várias notícias de população e gado comidos por crocodilos. Uma realidade chocante mas muito presente em Moçambique. Por isso, quando vos falarem de praias fluviais em Moçambique, desconfiem…

…e quem achar que as belas paisagens da costa puseram fim à viagem, está muito enganado! No interior somos surpreendidos por outras, igualmente bonitas. Paisagens, pessoas, histórias. Uma caixa de surpresas longe do mar…


7 comentários:

Bichocao disse...

Quantas faixas tem aquela ponte?

Bichocao disse...

E tem portagem? Ah ah ah!!

macaca disse...

Que bom, que bom! A tertúlia está de volta!Eu sei que venho atrasada, mas as férias desculpam tudo!:)
Fotos bonitas, relatos interessantes, como sempre. Agora fico a torcer para que os relatos de Moçambique continuem, se é que me faço entender!

Joana disse...

Epá, que viagem fantástica!!

Fada da felicidade disse...

UAU!

ginarsenio disse...

Olá André xtá muito bonito! a descrição xtá muito bem feita, até eu que sou africana não sabia tanta coisa sobre Moçambique. Parabéns!
Virginia

Isa disse...

mt fixe André, adorei.