21 de setembro de 2009
Postais da Gorongosa
13 de setembro de 2009
Viver no mato...
3 de setembro de 2009
Maputo a Chimoio
Missão: deslocação, via terrestre, de Maputo a Chimoio
Logística: 2 pick-up’s
Tripulação: 4 adultos e 3 crianças (3, 2 e 1 ano)
Distância: cerca de 1200Km
Paragens: flexível
Duração: flexível

Se há coisa que me entusiasma em África, no geral, são as grandes viagens, por terra, claro! Que eu cá sou pessoa para concordar com o Miguel Cadilhe, que diz “voar não é viajar”. E a estrela da sorte que me tem acompanhado desenhou, para a minha última semana de férias em Moçambique, uma bela viagem ao centro do país. Quiseram as circunstâncias que, nessa precisa semana as minhas primas viajassem até Chimoio, onde uma delas mora… Eu, claro, colei-me à aventura e alinhei na viagem!
Depois das praias de Maputo que, como referi, não são grande coisa, as praias de Inhambane já nos começam a fazer sonhar. Água limpíssima, azul ao longe, transparente ao perto, morna e areia branca. Árvores ao longo do areal…e está montado o cenário paradisíaco! Carcaças de outros tempos, contam-nos histórias de lazer neste local, agora deixado na brisa do acaso e na calmaria da época baixa.
Na primeira, o local escolhido foi a baía de Závora. Por cerca de 20 euros/noite (preço de época baixa!) temos direito a uma casa, com cozinha, à beira mar. A vista da sala é o mar, e no terraço a humidade marítima e o som das embebeda-nos de relax!
O relax é interrompido, com o entusiasmo de, ao fim de 5 minutos a olhar para o mar, avistarmos baleias e golfinhos. “Estão de passagem”, digo eu. Não. Moram ali. Vimo-las à tarde, ao entardecer e na manhã seguinte. Só a limitação técnica da máquina não me permite mostrar-vos melhor foto! Mas reparem na foto de baixo, quase no horizonte, ligeiramente à esquerda, o repuxo…é uma baleia, acreditem!
E se em África tudo é possível, aqui fica mais uma imagem que confirma a regra. Na praia de Vilanculos, com o arquipélago de Bazaruto à vista, um camelo! Com a tecnologia necessária incorporada, passeia turistas no dorso, praia fora.
A partir de Inhassoro, a viagem rumou ao interior do país, com longas e solitárias paisagens. Na estrada, rectas a perder de vista, vegetação até ao horizonte. Rios, com o seu caudal reduzido, pois este é o fim da época seca, guardam histórias que, recentemente têm sido sangrentas. Há várias notícias de população e gado comidos por crocodilos. Uma realidade chocante mas muito presente em Moçambique. Por isso, quando vos falarem de praias fluviais em Moçambique, desconfiem…
…e quem achar que as belas paisagens da costa puseram fim à viagem, está muito enganado! No interior somos surpreendidos por outras, igualmente bonitas. Paisagens, pessoas, histórias. Uma caixa de surpresas longe do mar…
24 de agosto de 2009
Férias em trabalho ou vice-versa
Vim para Moçambique, é sabido, com duas funções: profissional e lazer. No campo profissional tinha, e tenho, o intuito de fugir do pântano português: trabalhos mal pagos e por tempo indeterminado, mas sempre curto. Como se isto não fosse suficiente há, na minha opinião, uma filosofia de desânimo, em que pouca gente acredita no país e se entrega. Para culminar, e não lhe chamo “cereja no topo do bolo” porque não tem nada de positivo, é a capacidade que o Português, em geral, tem em mal dizer e nada fazer…
Pronto, desabafei!!
Assim, e tentando fazer-me à vida, com a paixão por África envolvida, aqui estou, em Moçambique! Tenho tido algumas conversas, que não se podem chamar entrevistas. Trata-se de sementes, de contactos que, espero, dêem frutos em breve. Além das conversas, tenho vestido o papel de “Hélder” e andado a bater nalgumas portas, a deixar o meu CV. Nesta parte não tenho tido muito sucesso. Talvez por falta de jeito para “espalhar a palavra”, mas também porque as empresas aqui não estão a contractar facilmente, também!!!
Mas nem tudo são espinhos…também há as rosas! E neste país, onde se pode ir à praia praticamente todo o ano, também há que tirar partido do sol, do oceano Índico e do que ele nos põe no prato.
No dia a seguir à chegada houve passeio ao Bilene. Praia a cerca de 2 horas de tempo (expressão comum por estas bandas). Não sei de que poderiam ser as horas senão de tempo, mas vou lá eu combater um hábito popular…
Praia com duas vertentes: lagoa interior, para quem não gosta de ondulação e tubarões; mar aberto, para quem gosta da agitação marítima e nada depressa quando avista uma barbatana de tubarão.
Ao longo destes dias tenho estado por Maputo…e redondezas. Existe uma praia muito próxima, que é a Costa do sol, mas de qualidade duvidosa. Boa apenas para passeios à beira mar. A foto de baixo mostra a praia da Costa do Sol, com a cidade de Maputo ao fundo.
No segundo fim-de-semana, a praia escolhida dista de 45 minutos de tempo de Maputo. É a praia da Macaneta que só é acessível através de batelão e a bordo de um 4x4. Um batelão que é movido com um belo motor Mercedes e que leva...até 6 jipes...com muita ginástica e muita fé!
No caminho da praia fomos presenteados com vários símios, em ambiente natural. Uma amostra espontânea de um mini safari…
Quanto ao estômago, que também há que cuidar dele, tem sido bem tratado. Fruta, Laurentinas, chamussas, peixe e camarão. Tudo a preço acessível, fazem os ingredientes para uma alimentação saudável, pelo menos ao paladar. A alimentação de peixinho tem sido tão intensa que, outro dia, tive necessidade de comer carne, nada normal em mim!!
A próxima semana, a contar a partir de amanhã, será preenchida com uma bela viagem, estrada fora. Prevêem-se mil e muitos quilómetros, praia e mato. O destino é Chimoio, no centro de Moçambique….
20 de agosto de 2009
Pelas ruas da cidade
As ruas e avenidas do centro da cidade são muito geométricas, o que ajuda até os mais despistados, desde que tenham o mínimo de orientação para não achar os quarteirões todos iguais. Um dos truques da orientação, é sabido, são as referências. E neste campo reside o teste para o 2º nível de orientação. É que a cidade tem duas frentes de mar, dividindo-se quase em duas. Uma das frentes, virada ao mar, a outra virada para o canal.
O centro da cidade é, por sua vez, preenchido por inúmeras avenidas de cruzamentos geométricos. Algumas avenidas, quais aortas do trânsito, fazem a grande distribuição dos veículos. Depois, num rendilhado de outras avenidas, dissipa-se a circulação fazendo com que, quase nunca, se congestione. Para quem não sabe, em Moçambique conduz-se à esquerda, com volante à direita. Há que passar algumas adaptações: querer fazer piscas e ligar o limpa pára-brisas; fazer máximos e accionar o esguicho; querer meter a 1ª mudança e arrancar em 5ª; sentarmo-nos ao volante e irmos buscar o cinto...ao banco do lado; ter tendência para ir para a “faixa certa” e andar muitas vezes em contra-mão; entrar na rotunda no sentido dos ponteiros do relógio…e mesmo assim, dar prioridade à direita! Este factor é universal…
Depois há os nomes das avenidas. Não só vincadas por personalidades africanas, locais ou datas de referências, também há a politica. Aqui não são esquecidos incontornáveis nomes da escola comunista internacional.